A defesa do miliciano André Boto solicitou à Justiça a rejeição da denúncia e, caso o processo tenha prosseguimento, a absolvição sumária. Ele é acusado de ser o mandante de uma extorsão contra um comerciante em Curicica, ocorrida no ano passado.
Os advogados apontam como suspeito o fato de a investigação ter permanecido paralisada, sem a realização de diligências para esclarecer os fatos, e, poucos dias após a revogação da prisão preventiva de Boto em outro processo, um novo inquérito ter sido instaurado.
O caso teve início em 28 de março de 2025, quando um comerciante foi abordado por dois homens em uma motocicleta sem placa, ambos usando capacetes. Segundo o relato, os suspeitos exigiram o pagamento semanal de R$ 2 mil, sob ameaça de incendiar imóveis da vítima localizados na Estrada dos Bandeirantes.
De acordo com a denúncia, os executores teriam afirmado que agiam por ordem de “chefes”, citando o vulgo Boto, que está preso. Ainda conforme o documento, ele teria atuado de forma dolosa na coordenação das atividades criminosas, induzindo os autores da extorsão a constranger a vítima.
A defesa também questiona o fato de o registro da ocorrência ter sido feito na 16ª DP (Barra da Tijuca), embora os fatos tenham ocorrido na área da 32ª DP (Taquara). Segundo os advogados, essa inconsistência já teria gerado dúvidas, especialmente pela ausência de explicação sobre o motivo de a vítima não procurar a delegacia da área correspondente.
No mesmo dia do registro, a 16ª DP determinou a remessa do caso à 32ª DP, responsável pelas diligências, o que, segundo a defesa, não foi efetivamente cumprido. Posteriormente, em 9 de abril, a 32ª DP encaminhou o caso à DRACO, sob o argumento de que havia uma investigação mais avançada, embora, ainda segundo os advogados, nenhuma diligência tenha sido realizada até então.
A defesa afirma que o delegado responsável pela remessa e o policial encarregado da investigação são os mesmos que conduziram uma apuração anterior contra Boto e outros investigados em 2025. Esse processo tramita na 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá e aguarda sentença, apesar de o Ministério Público ter se manifestado pela absolvição dos acusados por insuficiência de provas. O caso envolve a alegação de que Boto teria negociado a comunidade da Vila Sapê com o traficante Celsinho, da Vila Vintém.
Após o envio à DRACO, a investigação teria permanecido sem avanços até 27 de outubro, quando um novo inquérito foi instaurado. A defesa ressalta que, coincidentemente, a prisão preventiva de Boto havia sido revogada dias antes pelo juízo da 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá, após a oitiva dos policiais apontados como responsáveis por uma suposta investigação irregular.
Para os advogados, não se trata de mera coincidência o fato de a investigação ter ficado paralisada por meses e, logo após a revogação da prisão, um novo inquérito ter sido aberto. Eles classificam a situação como, no mínimo, suspeita.
A defesa destaca ainda que, no mesmo dia da revogação da prisão, foi juntado aos autos o termo de declaração do comerciante, prestado em 28 de março de 2025, documento que até então não constava no inquérito. A vítima também foi ouvida posteriormente na sede da DRACO.
Por fim, os advogados apontam que, na data de instauração do novo inquérito, o delegado da DRACO anexou um relatório técnico que fazia referência às mesmas imputações questionadas no processo em curso na 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá. Também foi registrado um aditamento para incluir Boto como investigado, com fundamentações consideradas pela defesa como desproporcionais e sem base consistente.