Segundo processo do TJ-RJ, a Justiça do Rio decretou na semana passada as prisões preventivas do miliciano Juninho Varão e do seu comparsa ShangLee pelo homicídio de dois integrantes do grupo paramilitar de Zinho cometidos em janeiro do ano passado, na comunidade do Jesuítas, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Os corpos não foram encontrados até hoje.
Uma testemunha afirmou que no dia 19 daquele mês foi na delegacia comunicar o desaparecimento de Leonardi de Castro dos Santos, vulgo Panda.
Ela soube por testemunhas que Leonardi estava em um bar na praça do Jesuítas, e apareceram três veículos e que um dos ocupantes de apelido Shanglee, portando arma de fogo, atirou na perna do seu esposo.
Segundo ela, os ocupantes dos veículos levaram seu esposo e um amigo chamado David, que sabe morar no Morro do chá.
Ao saber do fato tentou ligar para Leonardi mas um desconhecido atendeu a ligação e disse que seu esposo estava morto.
Leonardi fazia uso de tornozeleira eletrônica o que poderia ajudar na sua localização.
Em um segundo depoimento, a testemunha declarou que Leonardi integrava a milícia do Zinho referente a localidade dos Jesuítas e do Manguariba.
Disse que desde que iniciou o relacionamento o mesmo já integrava a milícia da localidade, sendo certo que antigamente a milícia era do “Tandera” eo companheiro já fazia parte;
Segundo ela, Leonardi fazia o recolhe de dinheiro dos comerciantes da localidade no período diurno e participava do “GAT” no período noturno da milícia do Zinho da localidade dos Jesuítas e do Manguariba;
No dia do desaparecimento, segundo seu relato, Leonardi se encontrou com David Barboza do Nascimento, vulgo Luluga, para ficar conversando. Os dois se conheceram na cadeia.
Eles pararam em um bar na Estrada dos Palmares quando por volta das 01h do dia 19JAN2025, 03 veículos adentraram no estacionamento com cerca de 12 homens encapuzados portando armas de grosso calibre;
Os suspeitos, ora não identificados, entraram no bar e apontaram as armas para todas as pessoas presentes, mandando que levantassem a blusa para ver se estavam armados;
Leonardi saiu do veículo e disse a um dos nacionais que era amigo, haja vista que pensou ser da milícia dos Jesuítas / Manguariba a qual faz parte;
Quando ele disse isso, um miliciano ora identificado como Shanglee, que acabara de retirar o capuz, atirou em Leonardi. Alvejado, ele foi colocado no interior do veículo L200 Triton de cor Cinza e placa não identificada.
David também foi arrebatado do estacionamento, haja vista que havia saido do carro de Leonardi instantes antes para comprar algo no bar do Jerrinho; Desde então, os dois não foram mais vistos.
Segundo os autos, os milicianos que arrebataram a dupla pertencem ao Bonde do “Varão e Waguinho e são da localidade do Guandu e do João Vinte Três, locais onde constantemente acontecem “guerras” por territórios;
Dias antes do desaparecimento de Leonardi, o GAT do Jesuítas/Manguariba deram um “baque” na milícia do Guandu, quando pegaram o frente da milícia na porta de casa de vulgo “PQD”;
Diante de tal circusntâncias, a milícia do Guandu prometeu uma represália à milícia dos Jesuítas / Manguariba e cumpriu a promessa.
A esposa de Leonardi ligou para o seu telefone sendo certo que um homem não identificado atendeu o telefone dizendo: – “seu marido está morto!!”;
Ela pensou inicialmente que o marido havia perdido o aparelho telefônico. Posteriromente tentou ligar diversas vezes, e o telefone estava desligado;
Leonardi já havia sido preso em 27/07/2021 e permaneceu até 09/09/2024 quando ganhou liberdade. Ele usava tornozeleira eletrônica quando fora arrebatado pelos milicianos rivais.]
O dono do bar disse que sabia que no local onde mora era dominado pela milícia do Zinho e que ela estava em guerra com o grupo paramilitar do Guandu e do Km 32, em Nova Iguaçu.
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Disse que a milícia do Guandu é comandada por Waguinho/Velhinho ou Coroa e a do Km 32 por Juninho Varão. Que ambos os grupos estavam unidos contra a quadrilha que agia no Jesuítas e Manguariba, que são dominadas por Zinho.
Ele disse que no dia do fato estava se preparando para fechar o bar quando os milicianos chegaram. Falou que eram mais de 30 homens, vestindo balaclavas, coletes balísticos e a esmagadora maioria portava fuzis;
Falou que os clientes do declarante se assustaram e alguns correram em direção aos condomínios e outros adentram o bar. Segundo ele, estes milicianos renderam todos que estavam no bar, colocaram os homens deitados do lado de fora e as mulheres em pé no interior do bar; Todos foram revistados;
Os homens desta milícia estavam procurando pessoas envolvidas com a milícia de Jesuítas/Manguariba. Soube que o bonde do Varão invadiu o Jesuítas pela Estrada da Comporta, vindo do Km 32,. e o bonde do Waguinho veio pela Avenida Brasil, através da Avenida Padra Guilherme Decaminada;
Os invassores perguntaram ao declarante sobre a câmera que ficava no bar, que a câmera não possui hd e sim cartão de memória. Eles fizeram o dono do bar desinstalar o aplicativo da câmera em seu telefone celular e levaram a câmera junto do cartão de memória;
O dono do bar ainda contou que observou quando o telefone de um dos milicianos tocou; e percebeu que quem ligou para este miliciano parecia falar que haviam pego alguém;
Os milicianos então deixaram o bar e falaram para os clientes que quem fosse embora na direção do condomínio já poderia sair e quem fosse embora na direção da clínica de saúde era para esperar mais alguns minutos;
Ele soube depois soube que os dois homens desaparecidos deste procedimento foram interceptados por um desses dois bondes de milícia que haviam invadido o Jesuítas;
David e Leonardi foram interceptados na Estrada do Cortume, no segundo quebra mola, saindo da Estrada dos Palmare. Ele não conhecia muito bem os dois desaparecidos, mas sabia que eram envolvidos na milícia da região;
Disse ainda que soube que quando foram abordados, David e Leonardi saíram do carro em que estavam e falaram que eram da “firma”; Soube que um deles foi baleado na hora e ambos foram levados por esta milícia rival;
Disse que esta abordagem à não foi realizada em frente ao seu bar, como alguns têm falado na região, mas sim na Estrada do Cortume, como dito anteriormente.