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Justiça decretou prisão preventiva de quatro envolvidos na morte de policial da CORE. CONFIRA DETALHES INÉDITOS DO CRIME

A Justiça decretou a prisão preventiva de quatro envolvidos no latrocínio contra o agente da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (CORE) João Pedro Marquini, que foi morto em março na Serra da Grota Funda, na Zona Oeste do Rio. Os acusados têm os vulgos de Chocolate (preso), Jefinho de Antares e Preá, além de Antônio Augusto (também preso).


A denuncia diz que no dia 30 de março de 2025, por volta das 20h40min, Av. Artur Xexéo, na altura do n.º 1.143, Serra da Grota Funda, Vargem Grande, Chocolate, Préa e Jefinho de Antares, juntamente com Cheio de Ódio e Alefe (falecidos), subtraíram arma da Polícia Civil, o distintivo e também tentaram roubar o carro de Marquini, que acabou morto.


Os criminosos não roubaram o carro do policial (um Renault Sandero) porque não conseguiram ligá-lo. com isso decidiram subtrair sua arma e o distintivo e efetuaram diparos de fuzil calibre 556 contra o agente da Core


Os bandidos tentaram roubar o Mitsubishi da esposa do policial, a juíza do Tribunal do Júri, Tula Melo. Eles efetuaram diversos disparos de armas de fogo calibre 5.56 em sua direção.


O crime não se consumou porque a magistrada realizou uma manobra defensiva, retornando de ré pela pista de rolamento, enquanto os atiradores efetuavam disparos com os fuzis que portavam em sua direção. Os tiros atingiram o vidro dianteiro do veículo na altura do motorista, e o resultado morte somente não ocorreu uma vez que a blindagem não permitiu o ingresso dos projéteis de arma de fogo no interior do veículo, não obstante tenham sido desferidos por armamento de grosso calibre.

Após planejamento, a quadrilha, fortemente armada no veículo Chery Tiggo, saiu no dia 30 de março de 2025, da Comunidade dos Tabajaras pelo bairro de Botafogo , onde se situava a “boca de fumo do Túnel Prata”, gerenciada por Antônio Augusto que acompanhou o desdobramento da empreitada criminosa pela internet e redes sociais .


Depois do crime, Antônio Augusto ganhou relevância na associação criminosa, passando andar armado com fuzil e a ser homem de confiança de “Cheio de Ódio”.
Foi feita a perícia papiloscópica no interior do veículo Tiggo, placa STM6C90, que fora encontrado na comunidade Cesar Maia, que atualmente se encontra sob o domínio da facção criminosa Comando Vermelho e foi apontada por uma testemunha como a localidade para a qual os indivíduos envolvidos no latrocínio se evadiram.


Um PM afirmou que recebeu contato de Marquini no dia do crime mas o agente nada falou. Porém, o policial ouviu as vozes de marginais. “Toca pro César Maia. Ele é polícia. Vai dar m…Achei a arma dele.. Ele está vivo.. vamos embora.. e esse telefone ligado? joga o telefone fora” não, não é iphone”. De repente, o telefone emudeceu.
Antônio Augusto confirmou sua participação no tráfico da Ladeira dos Tabajaras, negou seu envolvimento no crime mas foneceu. informações detalhadas sobre a dinâmica delitiva quanto ao latrocínio que vitimou o policial, tendo inclusive citado o nome dos demais participantes da empreitada criminosa.


Disse que há pouco mais de um ano entrou para o tráfico de drogas do Tabajara na função de vapor, ou seja, vendendo drogas, cujo a facção é o Comando Vermelho. Também vende drogas pelo telefone, Disk Drogas, tendo como clientes usuários do asfalto que não querem subir o morro para comprar as drogas;


Atuava de vapor portando pistola, em uma escala de trabalho de 24x24hs. Disse que o traficante DG, gerente das drogas no morro, foi quem lhe contratou para atuar na boca da Coroa;


Durante esse tempo atuando no tráfico, começou a ter mais responsabilidades e, por isso, atuou também na boca de Botafogo, localizada em cima do túnel; Q
Durante seu período como traficante foi adquirindo o respeito dos outros traficantes, inclusive de Cheio de Ódio


Contou que o veículo Tiggo usado pelos autores na morte do policial da CORE, estava no Morro dos Tabajaras há uns 3 meses, sendo este veículo era utilizado pelo traficante Cheio de Ódio.


O declarante afirmou que na madrugada de sexta pra sábado, um dia antes do crime supracitado, chegou a andar neste veículo pelas ruas da comunidade. Falou que não sabia que tal veículo seria usado em uma missão em antares;


Contou que Cheio de Ódio já atuou na comunidade de Antares, seguindo os passos do irmão vulgo (BR) que também era envolvido no tráfico desta localidade, ocasião em que esta região era território do Comando Vermelho, porém, com a retomada da mílicia, o Cheio de Ódio foi atuar no Morro dos Tabajaras;


Devido a sua vivência em Antares, Cheio de Ódio começou a abraçar alguns indivíduos desta comunidade que queriam trabalhar com ele atuando no tráfico do Tabajaras. Após abraçar vários indivíduos oriundos de Antares, Cheio de Ódio começou a atacar esta comunidade a fim de enfraquecer a Milicia e posteriormente retomar a favela pro Comando Vermelho;


Ele revelou que, no dia 30/03/2025, “Cheio de Ódio”, ordenou um ataque na comunidade de Antares em Santa Cruz;. Este ataque teria como objetivo matar milicianos que estavam na contenção da favela;


Disse que Chocolate, Preá, Alefe e Jefinho de Antares foram os autores que estavam a bordo do veículo Tiggo , os quais participaram tanto do ataque em Antares quanto da morte do policial.


Esseds indivíduos saíram do Morro dos Tabajaras com destino a Santa Cruz;. Durante o ataque em Antares houve um confronto desses integrantes do Tiggo com milicianos que estavam na contenção da comunidade, onde eles conseguiram matar um miliciano, mas tiveram o referido veículo alvejado por tiros, resultando no vidro traseiro estilhaçado e a lataria atingida, motivo este que durante a fuga, os ocupantes do Tiggo resolveram fugir pela serra da Grota Funda e lá trocar de veículo para retornar ao Morro dos Tabajaras sem chamar a atenção da polícia durante o trajeto.


Eles pararam o Tiggo atravessado na estrada da Grota Funda no momento em que vinham três carros;. O primeiro era de uma senhora idosa e por isso deixaram ela passar. Os autores apontaram as armas para o segundo carro que era do Policial Civil e para o terceiro que era da juíza, sendo este veículo almejado para a fuga até o Tabajaras;


Alefe era o motorista do Tiggo e portava uma pistola. Jefinho estava no carona portando um fuzil e Preá estava no banco de trás portando um fuzil que era do Chei o de Ódio, o qual tem escrito a palavra Surra. Chocolate estava no banco traseiro portando um fuzil.


Foi Chocolate quem apontou a arma para o carro da juíza Tula. Já Preá foi com o fuzil em direção a porta do motorista do Policial Civil a fim de tirá-lo do carro
Jefinho foi em direção a frente do carro do Policial Civil com o fuzil apontado pra ele;


Após a juíza dar marcha ré, Chocolate fez disparos em direção ao seu carro. Marquini tentou sacar a arma e, por isso, o Jeffinho efetuou dois tiros no peito dele;
Após o policial cair, Preá fez mais disparos o chamado ‘confere” no polical. Em seguida pegou a arma dele e ostenta no morro até a presente data;
A juíza conseguiu fugir por isso, Alefe saiu do carro e tentou ligar o carro do policial.mas não conseguiu.


Os quatro autores retornaram pro Tiggo e fugiram para a comunidade do César Maia por orientação do Alefe uma vez que ele conhece a comunidade e alguns integrantes do tráfico, bem como ao fato de pertencer ao Comando Vermelho e ser a mais próxima do local.


No caminho, ligaram para Cheio de Ódio , o qual desenrolou com a liderança e pediu para acolherem os autores no César Maia.


A intenção dos autores era queimar o Tiggo em outro local, mas não deu tempo, pois a CORE entrou no César Maia logo em seguida.


Após perguntado, o declarante afirma não ter conhecimento sobre o que foi feito com o telefone do Policial Civil. Disse que posteriormente os autores conseguiram retornar para o Tabajaras com a ajuda do traficante RD, porém o declarante afirma que essa parte da fuga não sabe os detalhes; (…)”


No dia 20.04.2025, Chocolate foi preso em flagrante pela 34ª Delegacia de Polícia pelos crimes de tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo e receptação (Registro de Ocorrência n.º 034-06729/2025) e prestou depoimento em sede policial, confirmando sua participação na empreitada criminosa, indicando os demais comparsas além de descrever de forma coerente e detalhada toda a dinâmica delitiva desde a saída do veículo Tiggo da comunidade da Ladeia dos Tabajaras até seu retorno à comunidade após o descarte do veículo na comunidade Cesar Maia.


Narrou que conheceu Cheio de Ódio durante o tempo em que trabalhou no lava-jato o qual sabendo do histórico de crimes do declarante, lhe chamou para participar de uma ação criminosa que teria como objetivo matar dois milicianos de Antares, sendo os nacionais de vulgo “Ju” e “Cocão”, ambos integrantes da milícia da r comunidade;
Cheio de Ódio lhe deu um lugar para morar (laje) e também prometeu o valor de R$1.000 (mil reais) para o declarante participar desta ação;


Aceitou a proposta de Cheio de Ódio e no dia 30/03/2025, saíram da comunidade por volta das 19h, usando o veículo Tiggo. Na ação, não usaram batedores, em virtude do ALEFE ter cabado de chegar da zona oeste constatando não haver nenhuma blitz no trajeto ou algo que impedisse a passagem do veículo dos autores;
Ele disse que portava uma pistoa Glock com um Kit que deixa este armamento semelhante a um fuzil. Os comparsas estavam portando fuzis HK de cor creme, semelhante aos fuzis usados pelo BOPE e CORE. Havia um terceiro fuzil estava na posse do Preá.


Após saírem do Tabajaras, seguiram pelo trajeto da Lagoa Rodrigo de Freitas, São Conrado, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Serra da Grota funda até chegarem em Antares/Santa Cruz, não encontraram os alvos, porém houve um confronto com os milicianos que saíram da comunidade em um carro SUV branco, possivelmente com os milicianos “Do Limão” e seu comparsa, ocasião em que o veículo usado pelo declarante foi alvejado por tiros, resultando no vidro traseiro estilhaçado e perfurações na lataria;


Aoi tentarem fugir pela Serra da Grota Funda, tiveram a ideia de trocar de veículo para retornar ao Morro dos Tabajaras sem serem percebidos pela polícia.
Na subida da serra visualizaram um veículo preto saindo de um posto de gasolina, que hora sabe ser da juíza sendo este almejado pelos seus comparsas para roubarem. Subiram a serra e pararam o Tiggo no canto da pista, a fim de esperar o carro que queriam roubar;


No primeiro momento em que pararam o trânsito, passou um veículo fiat/pálio de cor prata de uma senhora, momento em que o declarante a abordou e ao se aproximar viu que ela ficou muito nervosa com a arma do declarante apontada na sua direção, aparentando iniciar uma convulsão, motivo este que fez com que o declarante desistisse de roubá-la e a colocou sentada no meio fio;


Em seguida, passou o carro de Marquini, que foi parado pelos bandidos. Um dos bandidos tentou abrir a porta do motorista do veículo para revistá-lo;. O policial, no entanto, saiu do carro e impediu a revista, iniciando uma luta corporal com Preá.; .


Neste instante, Jefinho gritou. “Deve ser polícia” sendo que Alefe também alertou os demais. Em seguida, o motorista empurrou o Preá e tentou sacar a arma que portava na cintura;


Ao perceber que o condutor estava armado, Preá tentou pegar a arma dele, momento em que Jeffino efetuou dois disparos de arma de fogo no peito de Marquini.
Na sequência, Preá, efetuou mais disparos (tiros de confere) no policial, que já estava ferido;


Após esses disparos, a Juíza deu marcha à ré com seu veículo. Chocolate acreditando que no referido carro poderiam estar policiais ou milicianos, efetuou dois tiros em diireção ao automóvel, juntamente com Alefe, que também estava abordando a juíza;


O veículo de Tula conseguiu dar ré e fugir do local.


Ao ser indagado sobre a ordem cronológica dos acontecimentos, ou seja se efetuou disparos no carro da Juíza antes de seus comparsas matarem o policial, Chocolate afirmou em sua persepção que primeiro Preá e Jeffinho mataram o policial e, somente depois, a Juíza deu ré em virtude dos disparos, o que motivou Alefe a atirar contra o carro dela. Por essa razão o declarante também efetuou disparos em direção ao veículo da Juíza;


Ele cnntou que Preá e Jeffinho verificaram que o motorista morto era um policial e logo começaram a falar: “Deu m… vamos sair daqui,. Alefe tentou ligar o carro do policial para fugirem nele, mas não conseguiu;.


Disse que Preá conseguiu pegar a arma e o celular do policial e ficou em sua posse; Depois os autores retornaram para o veículo Tiggo e foram para a comunidade do César Maia, pois Alefe conhecia os integrantes do tráfico de drogas da região;


Após avançarem alguns metros do local do crime, Preá jogou o celular do policial na mata com medo de ser rastreado;. Os autores entraram com o carro Tiggo no César Maia, momento em que o Alefe abordou o “atividade” e disse pra ele avisar ao chefe que o deixasse entrar.


Eles estacionaram o carro em uma praça localizada logo na entrada da comunidade, onde o declarante resolveu desembarcar e se separar dos demais autores, pois neste ato afirma que sua missão era apenas dar um ataque em Antares.


Chocolate entregou a pistola Glock com o kit ao Alefe e tirou uma roupa preta que vestia, deixando uma camisa branca que estava por baixo da roupa;.
Os próprios autores arrumaram um taxista da comunidade para levar o declarante de volta ao morro dos Tabajaras;


Chegando no Tabajaras, o declarante foi encontrar com Cheio de Ódio para pedir o valor que foi acordado entre eles, porém este não honrou com a palavra, dando apenas R$300,00 (trezentos reais) ao declarante,


Não soube informar como os outros autores saíram da comunidade do César Maia, portando os fuzis, a pistola Glock com Kit usada pelo declarante e a pistola do policial.


Chocolate disse que saiu do César Maia antes dos policiais da CORE entrar na comunidade, chegando ao Tabajaras por volta das 02h.
Rreiterou não saber como foi a fuga dos seus comparsas da comunidade César Maia até o Tabajaras, mas sabe informar que eles chegaram na comunidade por volta das 06hs;


Após o ocorrido o declarante saiu da comunidade dos Tabajaras no dia seguinte e retornou para o Jacaré, uma vez que o Cheio de Ódio não cumpriu com sua palavra em relação ao valor acordado e nem deu assistência ao declarante em virtude do assassinato do citado policial; (…).

FONTE; TJ-RJ

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