A defesa de uma moradora do Complexo do Alemão denunciou à Justiça que as investigações sobre a morte de seu marido — e de outras vítimas de uma operação policial realizada em julho de 2022 — estão paralisadas há mais de um ano.
De acordo com os advogados, o inquérito 901-00648/2022 não registra avanços desde o dia 14 de outubro de 2026, apesar de ainda haver prazo aberto para cumprimento de diligências e elaboração do relatório final. A operação deixou 16 mortos.
Segundo a defesa, até o momento foram colhidos apenas os depoimentos de familiares das vítimas, além da realização de exames de necropsia e análises de vestimentas. Para os advogados, as medidas são insuficientes diante da gravidade do caso.
O marido da autora da ação, Diego, de 29 anos, foi morto com um tiro de fuzil nas costas durante a operação.
A defesa sustenta que ele não tinha qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e trabalhava como autônomo, realizando fretes para mercados e auxiliando em obras, carregando materiais de construção e entulho, sendo responsável pelo sustento da família.
Os advogados afirmam ainda que não há indicação de que Diego tenha oferecido resistência à abordagem policial no momento em que foi atingido.
Na ação, a defesa também cita o caso de outra vítima da operação, Letícia Marinho Sales, de 50 anos. Segundo os autos, ela havia passado a noite na casa do namorado, no Alemão, após ajudar uma pastora a organizar um evento na comunidade.
Ao deixar o local, Letícia foi surpreendida por um tiroteio. De acordo com o relato, dois veículos estavam parados lado a lado em um sinal de trânsito próximo a um cabo da Polícia Militar. O agente afirmou ter visto uma pessoa armada colocando um corpo para fora de um dos carros e, acreditando se tratar de um traficante, efetuou 12 disparos de fuzil.
Um dos tiros atingiu o retrovisor de um veículo que não era o alvo e acabou acertando Letícia na região torácica. Ela não resistiu aos ferimentos.
Para a defesa, os episódios reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações e responsabilização dos agentes envolvidos, diante das circunstâncias das mortes registradas na operação.