O traficante Bacurau, cuja prisão desencadeou uma série de protestos nos arredores da Gardênia Azul com cabine da PM metralhada e ônibus sequestrados para servir de barricada, disse ter sido agredido por ocasião de sua prisão em flagrante por policiais militares que não usavam câmeras corporais.
Segundo depoimento dele à Justiça, o bandido afirmou que recebeu dois chutes na coxa direita, perto do quadril, e um soco na orelha direita.
Além disso, narrou que os policiais quebraram a sua casa, com a esposa e filhas no interior.
Relatou que não sabe o nome dos policiais, mas foram aqueles que o levaram à delegacia.
Falou que o policial que o agrediu é branco, alto, forte e com cabelo liso e barba. Afirmou que esse policial e outros quebraram sua residência, tendo descrito um segundo policial como branco, forte, baixo e com cabelo liso. Narrou que ambos estavam sem barba. Asseverou que as agressões foram presenciadas por sua esposa.
Devido a esse relato, o juiz responsável pelo caso determinou que cópias dos autos fossem encaminhadas para a Promotoria que atua junto à Auditoria Militar, à Corregedoria Geral Unificada e à Segunda Vice-Presidência.
Mandou ainda que Bacurau fosse levado para a realização de novo exame de corpo de delito, já que não narrou agressões no exame anterior.
Como foi a prisão
Narra o Registro de Ocorrência que, no dia 27/07/2026, por volta das 8h, policiais militares realizaram operação na comunidade da Gardênia Azul, em cumprimento a informações previamente coletadas que indicavam que Bacurau exerceria a função de gerente da organização criminosa atuante na localidade e armazenaria armamento em sua residência.
Ao chegarem ao endereço, os policiais visualizaram, pela janela da residência, um fuzil apoiado sobre um sofá.
Diante da situação de flagrância, dirigiram-se à porta do imóvel, que se encontrava aberta, sendo recebidos pelo próprio suspeito, o qual autorizou o ingresso da equipe policial.
Realizadas buscas no interior da residência, nada mais de ilícito foi localizado, sendo apreendidos apenas um fuzil de plataforma AR, com marca e modelo suprimidos, acompanhado de um carregador municiado com 15 (quinze) munições.
Consta, ainda, que Bacurau estava sozinho no imóvel, permaneceu em silêncio durante a diligência e não portava aparelho celular. Além disso, é informado que a operação foi realizada por policiais à paisana, sem utilização de câmeras corporais, em razão de se tratar de ação decorrente de trabalho de inteligência.
Diante dos fatos, Bacurau foi conduzido à unidade policial, onde se procedeu à lavratura do auto de prisão em flagrante para as providências legais cabíveis.