A Polícia Civil conseguiu autorização judicial para compartilhar com a investigação da Banca da Grande Rio todo o conteúdo extraído do celular do policial militar Vitor Hugo Henrichs Mello, apontado como possível executor do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo.
A medida foi tomada porque os investigadores passaram a suspeitar que o PM possa ter ligação com a organização criminosa que, segundo a Polícia Civil, seria comandada pelo contraventor Adilsinho.
A chamada Banca da Grande Rio é investigada por supostamente controlar o comércio clandestino de cigarros e atividades de contravenção no Rio de Janeiro, como o jogo do bicho e a exploração de máquinas caça-níqueis.
Adilsinho é apontado pela Polícia Civil como uma das principais lideranças dessa estrutura criminosa.
É justamente por isso que o conteúdo do celular de Vitor Hugo Henrichs Mello se tornou uma peça importante para a investigação.
CELULAR DO PM PODE REVELAR LIGAÇÃO COM A BANCA
O policial militar é apontado nas investigações como possível executor da morte de Rodrigo Crespo.
O conteúdo do celular apreendido com ele foi extraído através do sistema Cellebrite. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) agora conseguiu autorização para que todo esse material seja compartilhado com o inquérito que investiga a atuação da Banca da Grande Rio.
Na prática, os investigadores poderão analisar conversas, contatos, arquivos e outras informações armazenadas no aparelho para tentar descobrir com quem o PM se comunicava, a quem obedecia e se mantinha ligação com integrantes da organização criminosa atribuída a Adilsinho.
A pergunta central é:
Vitor Hugo agiu sozinho na execução do advogado ou fazia parte da estrutura criminosa investigada na Banca da Grande Rio?
INVESTIGAÇÃO QUER SABER SE HOMICÍDIO FOI PRATICADO A MANDO DO GRUPO
A análise do telefone poderá revelar se o policial recebeu ordens, manteve contato com possíveis mandantes ou intermediários e se tinha alguma relação com integrantes da organização criminosa.
Os investigadores também poderão buscar no aparelho informações sobre pagamentos, encontros, planejamento da execução e contatos mantidos antes e depois do assassinato.
Caso sejam encontradas provas de ligação entre o PM e a Banca da Grande Rio, a Polícia Civil poderá investigar se a morte de Rodrigo Crespo foi praticada a mando ou no interesse da organização criminosa.
O conteúdo do celular também poderá ser confrontado com elementos de outros inquéritos que investigam homicídios atribuídos ao mesmo núcleo criminoso.
JUSTIÇA AUTORIZOU COMPARTILHAMENTO DAS PROVAS
O pedido foi feito pela Delegacia de Homicídios da Capital e recebeu parecer favorável do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público.
Ao autorizar o compartilhamento, a Justiça destacou a possibilidade de existência de uma organização criminosa envolvida na prática de diversos homicídios no Rio de Janeiro.
A decisão judicial, no entanto, não afirma que Adilsinho tenha ordenado a morte de Rodrigo Crespo.
A investigação busca esclarecer se o PM apontado como possível executor integrava a estrutura da Banca da Grande Rio, organização criminosa atribuída a Adilsinho, e se o assassinato do advogado tem alguma relação com a atuação do grupo.
A resposta poderá estar no conteúdo do celular do policial.