A morte de João José da Silva, o Zé Badu, de 80 anos, atingido por uma bala perdida durante um intenso tiroteio na Tijuca, é mais um capítulo de uma guerra territorial que há meses envolve traficantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro na região.
O CV, principalmente a partir dos morros do Borel e do Andaraí, vem tentando avançar sobre comunidades controladas pelo TCP, como o Morro do Cruz, Casa Branca e Chácara do Céu. Os confrontos entre as duas facções não são novos, mas se intensificaram desde o ano passado e já deixaram um rastro de mortes e episódios de extrema violência.
Em um dos confrontos, três pessoas que estavam em uma oficina nas proximidades do Borel morreram. Uma moradora também foi morta neste ano em meio à violência provocada pela disputa entre os grupos criminosos. Várias vezes foram relatados tiroteios na região, principalmente de madrugada
Em determinado momento, chegaram a circular informações de que o CV teria conseguido tomar a Chácara do Céu. A informação, no entanto, não se confirmou.
Os morros controlados pelo TCP na Tijuca teriam se transformado em uma espécie de reduto para traficantes expulsos de outras áreas após o avanço do Comando Vermelho sobre o Morro dos Macacos, em Vila Isabel. A gestão das comunidades seria atribuída ao traficante Lacoste, apontado como uma das principais lideranças do Complexo da Serrinha, em Madureira.
A disputa chegou a produzir episódios incomuns. No início do ano, traficantes do Morro do Cruz teriam lançado uma granada a partir de um drone em direção ao Morro do Andaraí. O artefato, porém, não explodiu. Também circularam vídeos mostrando balas traçantes cruzando o céu da Tijuca durante os confrontos.
Em maio, uma mensagem atribuída ao Comando Vermelho indicava que a facção estaria tentando atrair traficantes insatisfeitos do TCP no Morro do Cruz. O texto acusava integrantes da facção rival de extorquir moradores.

Morador de 80 anos morreu após ser baleado
Zé Badu, como João José da Silva era conhecido, morava na Chácara do Céu e foi atingido por um disparo na tarde de sexta-feira (24), durante um intenso tiroteio que atingiu comunidades da Grande Tijuca.
Segundo relatos de moradores, os disparos começaram por volta do meio-dia e se espalharam por áreas do Borel, Casa Branca, Morro do Cruz e Andaraí. A suspeita entre moradores era de que uma tentativa de invasão de criminosos rivais teria provocado a reação dos grupos que controlam a região.
A Polícia Militar informou que foi acionada e constatou um confronto entre criminosos nas proximidades da localidade conhecida como Pedra, considerada um ponto estratégico de acesso a várias vielas. O policiamento foi reforçado no entorno.
Baleado no tórax, Zé Badu foi levado em estado grave para o Hospital do Andaraí, mas morreu neste sábado (25). A vítima trabalhava como ajudante de obras, era casada e deixou dois filhos.
Moradores o descrevem como uma pessoa tranquila, que não tinha envolvimento com a criminalidade.
A morte de Zé Badu mostra mais uma vez como a disputa entre facções transforma moradores em vítimas de uma guerra que não escolheram. Na Tijuca, a batalha pelo controle de comunidades rivais continua produzindo tiroteios, mortes e medo — enquanto a população fica no meio do fogo cruzado.
