Apontado pelas autoridades de Alagoas como presidente do Comando Vermelho no estado, responsável pelo abastecimento de maconha e cocaína e com conexões criminosas que ultrapassariam as fronteiras alagoanas, Wilson Marques de Albuquerque, o Zé Dirceu ou Alex, está no centro de uma decisão que atingiu diretamente sua mulher na disputa eleitoral do Rio.
A candidata a deputada federal Mariana de Souza, esposa do traficante, teve o registro indeferido por unanimidade pelo TRE-RJ. Para a Corte, havia elementos que demonstravam vínculo com organização criminosa e que colocavam em dúvida a autonomia da candidatura.
O caso revela a dimensão do poder atribuído a Zé Dirceu. Investigações da segurança pública de Alagoas apontam o criminoso como uma das principais lideranças do CV no estado e responsável pela articulação do tráfico de drogas que abastecia Maceió.
O Relatório de Análise de Interceptações nº 254/2020, elaborado a partir de interceptações telefônicas e encaminhado pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, identificou três organizações criminosas ligadas ao Comando Vermelho, com atuação em Maceió, Rio Largo, Murici e até no Mato Grosso.
Zé Dirceu aparece nos documentos como “gerente regional” do Comando Vermelho em Alagoas e também é identificado como presidente da facção no estado.
Em um dos relatos reunidos na investigação, um traficante afirmou ter pago R$ 2.500 por maconha e R$ 2.000 por crack, apontando Zé Dirceu, descrito como residente no Rio de Janeiro, como um dos fornecedores.
Ou seja: mesmo apontado como uma das cabeças do CV em Alagoas, o traficante teria estabelecido no Rio uma base longe do alcance imediato das autoridades alagoanas. Há relatos de investigações que indicam que ele estaria escondido no estado.
E a influência atribuída a Zé Dirceu não teria desaparecido nem quando ele estava atrás das grades. Preso na Penitenciária Baldomero Cavalcante, em Alagoas, ele teria conseguido acesso a diversos aparelhos celulares, mantendo contatos que, segundo as investigações, permitiam a continuidade de suas articulações.
Condenado por tráfico de drogas e atualmente foragido, Zé Dirceu é descrito nos documentos como um criminoso de grande influência dentro da estrutura do Comando Vermelho.
É esse personagem que está por trás da candidatura de Mariana de Souza.
Ao analisar o caso, o TRE-RJ entendeu que a candidatura não poderia ser tratada como uma iniciativa política isolada, diante dos elementos que apontariam para a ligação da candidata com a organização criminosa.
A Corte considerou, portanto, que havia risco de que a candidatura servisse aos interesses da facção e indeferiu o registro.
Assista vídeos de Mariana rebatendo as acusações