A guerra entre traficantes do Terceiro Comando Puro e Comando Vermelho que se instalou na Zona Norte de Niterói a partir de novembro do ano passado provocou crimes que não chegaram ao conhecimento da mídia.
Carlos Eduardo Vieira Xavier foi atraído para uma residência desocupada que estava em obras na Comunidade Santo Cristo, , onde teria sido agredido e posteriormente executado. Relatos prestados à polícia apontam um homem conhecido como “Bombinha” como responsável pelo crime.
Segundo o irmão da vítima, moradores contaram que, na manhã de 5 de fevereiro de 2026, por volta das 6h, “Bombinha” chamou Carlos para acompanhá-lo até uma casa localizada dentro da comunidade. Ainda de acordo com os relatos repassados à testemunha, Carlos não queria acompanhá-lo e teria sido arrastado para o interior da comunidade.
Moradores também teriam ouvido pedidos de socorro, mas ninguém teria prestado auxílio.
A irmã da vítima apresentou uma versão semelhante. Segundo ela, moradores disseram que Carlos estava descendo para abrir o lava-jato onde trabalhava quando foi interceptado por “Bombinha”, que o levou para o alto da comunidade.
Durante o trajeto, ainda conforme o relato repassado por moradores à depoente, Carlos teria sido agredido enquanto dizia: “Não me bate não, eu tenho problema de coração”.
Ao chegar ao alto da comunidade, “Bombinha” teria executado Carlos.
A irmã de Carlos afirmou não saber qual teria sido a motivação do homicídio. Disse ainda que não conhecia pessoalmente “Bombinha”, tendo visto o suspeito apenas por fotografias.
FUZIL DA VÍTIMA TERIA SIDO LEVADO APÓS O HOMICÍDIO
Em depoimento posterior, o irmão apresentou outra informação sobre Carlos. Segundo ele, Carlos tinha envolvimento com o tráfico de drogas no Santo Cristo e seria integrante do Terceiro Comando Puro (TCP).
O irmão afirmou ainda que Carlos portava um fuzil na comunidade, descrito como sendo de cor bege e equipado com luneta.
Paulo declarou que, após o homicídio, “Bombinha” teria subtraído o fuzil que Carlos portava. A testemunha afirmou ter visto, posteriormente, imagens do armamento em redes sociais e reconhecido a arma utilizada pela vítima.
Segundo o declarante, após o crime, “Bombinha” teria deixado o Santo Cristo, migrado para o Comando Vermelho (CV) e passado a atuar na Vila Ipiranga. Ele também relatou ter tomado conhecimento de que o suspeito teria subtraído dois fuzis da comunidade do Santo Cristo.
IRMÃ DIZ QUE NÃO SABIA DE ENVOLVIMENTO COM FACÇÃO
O depoimento da irmã, entretanto, apresenta uma diferença em relação ao relato posterior do irmão.
Ela afirmou não ter conhecimento de que Carlos integrasse qualquer facção criminosa. Disse apenas saber que a região do Santo Cristo é dominada pelo TCP.
A irmã relatou que já havia visto o irmão fumar maconha, mas não sabia se ele utilizava outras drogas. Também afirmou que Carlos trabalhava em um lava-jato e era conhecido pelo apelido de “Tcheco”.
Segundo ela, Carlos não tinha esposa ou namorada e era considerado por ela uma pessoa brincalhona. Naiara afirmou ainda não ter conhecimento de brigas ou desentendimentos envolvendo o irmão.
PM ENCONTROU CORPO EM IMÓVEL EM OBRAS
Um policial militar relatou que estava em patrulhamento por volta das 16h30 do dia 5 de fevereiro, quando recebeu uma informação da P2 da unidade sobre a existência de um corpo dentro de um imóvel em obras na Travessa Santo Cristo, número 396.
Com autorização da proprietária do imóvel, os policiais entraram no local e encontraram o corpo de um homem, de aproximadamente 22 anos.
Os PMs preservaram a cena até a chegada da perícia.
O imóvel onde o corpo foi localizado fica em uma região apontada pelo policial como área dominada pelo Terceiro Comando Puro e considerada de risco de confronto.
Bombinha tevea prisão preventiva decretada.