A atuação do sargento da Polícia Militar Alisso Sturião de Araújo, de 41 anos, n no combate ao tráfico de drogas em comunidades de Magé é apontada pela Justiça como possível motivação para sua execução, ocorrida em dezembro de 2024.
Alisson foi morto com tiros de fuzil no bairro Santo Aleixo, em Magé, por volta das 20h. O crime foi flagrado por uma câmera de segurança.
No vídeo é possível ver o momento em que o policial estaciona o carro em uma calçada na Estrada Adam Blumer, e os criminosos param ao lado dele, dois descem armados já atirando, um deles vai até o carro de Alisson, faz outros disparos e o farol do veículo desliga. Após a ação os criminosos vão se distanciando, mas continuam fazendo disparos. Toda a ação durou cerca de 1 minuto, e na data do crime Alisson Sturião estava de folga, ele era 3º sargento do 34º Batalhão da PM e possuía 13 anos de corporação.
Segundo os elementos reunidos na investigação, o policial teria sido ameaçado de morte por Gabriel Roza Alves de Almeida, apontado como integrante do Comando Vermelho e suspeito de atuar no tráfico da região. A Justiça decretou a prisão preventiva de Gabriel e recebeu a denúncia contra ele pelo homicídio.
O caso voltou à tona nessa semana porque o Disque Denúncia divulgou um cartaz com a foto do suspeito
De acordo com a decisão judicial, familiares da vítima relataram à polícia que Alisson havia comentado ter sido ameaçado por uma pessoa chamada Gabriel, descrita como traficante da região. A esposa do sargento afirmou ainda que ele não pertencia à milícia, mas se considerava policial “24 horas” e não aceitava situações de desordem.
A irmã da vítima declarou que o motivo da execução estaria relacionado às ações realizadas por Alisson para combater a expansão do tráfico na região. Segundo ela, Gabriel seria conhecido criminoso da área e teria um projeto de dominar a localidade de Santo Aleixo.
Um policial militar ouvido durante a investigação também afirmou que Alisson trabalhava de forma firme contra a criminalidade e, por ser morador de Magé, atuava constantemente contra o tráfico nos bairros Lagoa, Taquaral e Jardim Esmeralda.
Ainda segundo a decisão, um homem identificado como Julio Cesar da Silva Junior, preso em outro inquérito e que manifestou interesse em colaborar com as investigações, afirmou que Gabriel teria executado o policial porque pretendia assumir o controle das localidades de Santo Aleixo e Andorinhas. Segundo esse relato, Alisson estaria combatendo a tentativa de implementação do tráfico na região.
Celular teria colocado suspeito perto do local do crime
A investigação também reuniu dados obtidos a partir da quebra de sigilo telefônico. Segundo a decisão, a linha atribuída a Gabriel estava vinculada à área de abrangência de uma estação rádio-base (ERB) nas proximidades do local do homicídio no momento em que o crime ocorreu.
Após o assassinato, imagens de segurança indicaram que o veículo utilizado pelos autores fugiu em direção à Estrada da Piedade, em Magé. Os dados das ERBs analisados pela investigação apontaram que a linha telefônica atribuída a Gabriel teria seguido na mesma direção depois de deixar as proximidades do local do crime.
Para a Justiça, esses elementos reforçam a suspeita de que Gabriel estava nas proximidades do local quando o homicídio foi cometido e posteriormente na região para onde o veículo utilizado pelos autores teria fugido.
Também foram encontradas, segundo a decisão, imagens publicadas em uma conta de Instagram vinculada ao número telefônico investigado nas quais Gabriel aparece portando armas de fogo. Entre as imagens mencionadas estão registros com um fuzil calibre 5.56 e granadas, além de referências ao tráfico e à morte de policiais.
Sargento foi morto com disparos de fuzil
O laudo de necropsia citado na decisão aponta que Alisson morreu em decorrência de lesões provocadas por projéteis de arma de fogo. A Justiça registra que a arma utilizada teria sido um fuzil calibre 5.56.
Ao fundamentar a prisão preventiva, a magistrada considerou a gravidade concreta do crime, destacando que a vítima era sargento da Polícia Militar e que o homicídio teria sido cometido, em tese, como retaliação à sua atuação funcional no combate ao tráfico de drogas.
A decisão também menciona relatos de que Gabriel seria integrante do Comando Vermelho e atuaria como gerente do tráfico nos bairros Lagoa, Taquaral e Jardim Esmeralda, em Magé.
Justiça rejeitou denúncia contra segundo acusado
A denúncia do Ministério Público também havia sido apresentada contra Leandro Rodrigues da Silva. Entretanto, a Justiça rejeitou a acusação contra ele por falta de elementos mínimos que demonstrassem sua participação no assassinato.
Segundo a magistrada, Leandro foi incluído na investigação principalmente porque seria uma pessoa que “costuma sempre andar ou agir junto de Gabriel”, mas não foram encontrados outros elementos suficientes para sustentar sua participação no crime.
As imagens das câmeras não permitiram identificá-lo como um dos autores dos disparos. A decisão também aponta que testemunhas que citaram Leandro não estavam presentes no momento do crime e teriam baseado suas declarações em comentários de terceiros ou no fato de ele andar com Gabriel.
A análise do telefone atribuído a Leandro também não encontrou informações consideradas relevantes para a investigação.
Por isso, a denúncia contra Leandro foi rejeitada, sem impedir que uma nova acusação seja apresentada caso surjam elementos suficientes.
Já contra Gabriel, a denúncia foi recebida porque, segundo a magistrada, existem indícios suficientes de autoria e elementos que justificam o prosseguimento da ação penal.
A prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública e a instrução criminal. A Justiça destacou ainda que, embora o assassinato tenha ocorrido em dezembro de 2024, a prisão foi determinada somente agora devido aos resultados recentes das medidas de quebra de sigilo telefônico e telemático, que teriam contribuído para a conclusão da investigação.
Gabriel, é suspeito também do homicídio do policial militar da reserva Carlos Wagner de Alvarenga Costa, de 65 anos, e outro homem de aproximadamente 25 anos, que foram encontrados mortos ao lado de um carro, modelo Fiat Toro, às margens da RJ-106, km 8, na altura de Rio do Ouro, sentido Niterói, em São Gonçalo, em 2 de fevereiro de 2025.
Segundoinformações divulgadas à época, o caso teria ocorrido durante uma tentativa de assalto, e investigações relacionadas à criminalidade na região também apontaram a atuação de integrantes ligados a Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, entre eles Rafael Teixeira Guimarães Peixoto, o “Funil”, apontado como braço direito e segurança de confiança de “Rabicó”, que estava junto no crime com Gabriel.
Investigações da época apontaram que imagens obtidas por meio dos setores de inteligência das polícias do Estado do Rio de Janeiro, que Gabriel e comparsas envolvidos no crime tinham ponto de reuniões regulares de indivíduos armados, com possível uso de fuzis e coletes balísticos.
Os bandidos eram envolvidos em práticas de crimes de roubo na localidade da RJ 106