Investigação da Polícia Civil do Rio aponta que um dos atuais chefes da milícia do Catiri, em Bangu — alvo de operação recente — também teria integrado a estrutura de comando do grupo paramilitar que atuava em Rio das Pedras, em Jacarepaguá.
Segundo relatório obtido pela reportagem, o homem identificado como Montanha aparece como uma das lideranças da organização criminosa em períodos anteriores, com atuação ligada ao controle de áreas exploradas pelo grupo e participação no núcleo responsável por decisões estratégicas da estrutura.
“Ele era um dos donos das áreas exploradas pela quadrilha, sendo apontado no alto escalação da estrutura de tomada de decisões do grupo criminoso”, diz o documento.
A apuração, conduzida ao longo de anos, resultou na denúncia de treze investigados e descreve uma organização criminosa de alta complexidade, envolvida em um amplo esquema de exploração econômica ilegal. Entre as atividades atribuídas ao grupo estão venda e locação irregular de imóveis, grilagem de terras, extorsão sistemática de moradores e comerciantes por meio da cobrança de “taxas” ilegais por supostos serviços, além de agiotagem, falsificação de documentos públicos, corrupção de agentes públicos, ocultação de bens e uso de ligações clandestinas de água e energia.
De acordo com o documento, os denunciados integrariam uma estrutura criminosa estável e organizada, com atuação contínua no estado do Rio de Janeiro e forte presença territorial em determinadas regiões. O controle exercido pelo grupo seria sustentado por intimidação, ameaças e episódios recorrentes de violência, com impacto direto sobre a rotina de moradores e comerciantes das áreas sob influência.
O relatório também aponta que a organização opera com lógica de gestão interna, divisão de funções e exploração econômica contínua das comunidades sob domínio. Há ainda indicativos de um modelo de atuação com estrutura financeira e logística consolidada, além de mecanismos voltados à ocultação de patrimônio e possível cooptação de agentes públicos.
A investigação indica que Montanha contaria com o apoio de mulheres em funções auxiliares dentro da estrutura criminosa. Outros dois integrantes seriam responsáveis pela cobrança dos valores exigidos de moradores e comerciantes, além da intermediação de empréstimos extorsivos. Há ainda suspeitas de que dois investigados atuariam no fornecimento de dados pessoais utilizados para operações de ocultação e movimentação de recursos ilícitos.
O conjunto de elementos reunidos pela investigação descreve uma organização criminosa com forte capacidade de controle territorial e atuação econômica estruturada, sustentada por violência, coerção e possíveis práticas de corrupção, com impacto direto sobre comunidades da capital fluminense.