Uma denúncia recebida pela Justiça revela um cenário alarmante em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Segundo o Ministério Público, milicianos que atuam na região não estariam apenas extorquindo moradores e comerciantes, mas também pressionando integrantes das forças de segurança pública para atender interesses da organização criminosa.
De acordo com a acusação, policiais e outros agentes seriam obrigados a utilizar sua influência junto aos órgãos públicos aos quais pertencem para favorecer o grupo criminoso. Quando as exigências não são atendidas, os milicianos recorreriam à violência, incluindo tentativas de homicídio.
A denúncia afirma que o grupo domina áreas de Campo Grande e regiões vizinhas por meio do medo, impondo cobranças semanais a moradores e comerciantes e mantendo uma estrutura criminosa capaz de intimidar até mesmo servidores ligados à segurança pública.
A gravidade da situação levou a Justiça a decretar a prisão preventiva de Maycon Lucas Miranda Lara, Luis Claudio Ribeiro Monteiro e Patrick Gonçalves de Souza, acusados de integrar a organização miliciana.
Segundo o Ministério Público, a atuação do grupo vai além das extorsões. Os promotores sustentam que os criminosos exercem influência sobre moradores e agentes públicos, utilizando ameaças e violência para garantir que seus interesses sejam atendidos.
O caso que levou à denúncia ocorreu em março deste ano e teria como vítima um policial penal.
Tentativa de execução após recusa
Segundo as investigações, o policial penal S.O.C teria sido alvo de uma tentativa de assassinato após se recusar a atender uma exigência do grupo criminoso.
De acordo com a denúncia, os milicianos queriam que o agente facilitasse a devolução de uma motocicleta apreendida pela polícia. Diante da negativa, os acusados teriam decidido executá-lo.
No dia 24 de março, na esquina da Estrada do Cabuçu com a Rua Ataliba Dutra, os criminosos teriam efetuado diversos disparos contra a vítima. O policial foi atingido por três tiros no abdômen, mas conseguiu fugir e recebeu atendimento médico que impediu sua morte.
Por conta do crime, dois suspeitos passaram a responder por tentativa de homicídio qualificado e constituição de milícia privada. A denúncia foi recebida pela Justiça, que também decretou a prisão preventiva dos investigados.
Durante as investigações foram apreendidas armas, carregadores e munições de diferentes calibres, incluindo pistolas .380, .40 e 9 milímetros. Os elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público serviram de base para a denúncia e para o pedido de prisão dos acusados.
Agora, com a denúncia recebida pela Justiça, os três investigados passarão a responder formalmente pelos crimes atribuídos pelo Ministério Público, enquanto o processo segue para a fase de instrução criminal.
Para o Ministério Público, o atentado foi uma demonstração de força da organização criminosa e um recado para aqueles que se recusam a colaborar com seus interesses.