Um documento da Justiça do Rio de Janeiro trouxe um novo elemento para o caso da morte do empresário Daniel Patrício. Segundo decisão judicial, uma investigação complementar conduzida pela Delegacia de Homicídios passou a trabalhar com a hipótese de que o disparo que matou a vítima pode não ter sido efetuado pelos policiais militares acusados do crime.
Os PMs Rafael Assunção Marinho e Rodrigo da Silva Alves respondem a uma ação penal por homicídio qualificado. No entanto, durante o andamento do processo, integrantes da investigação decidiram seguir uma nova linha de apuração.
De acordo com a decisão, o delegado adjunto Robinson Gomes Pereira informou ao juízo que foi procurado por um perito criminal que teria identificado uma possível dinâmica diferente da apresentada até então no processo. A partir disso, foi iniciada uma série de diligências para reavaliar as circunstâncias da morte.
O documento destaca que a autoridade policial chegou a registrar a existência de uma “suspeita de que o tiro não tenha partido dos policiais militares”.
A manifestação causou forte reação da magistrada responsável pelo caso. Na decisão, a juíza afirmou considerar “incompreensível” a adoção dessa nova linha investigativa sem autorização judicial ou solicitação do Ministério Público, especialmente porque a ação penal já havia sido instaurada.
Segundo a magistrada, a declaração da autoridade policial sobre a origem do disparo levantou dúvidas sobre a imparcialidade da investigação. A decisão afirma que a manifestação continha um juízo de valor sobre os fatos e registrou “estranheza em razão da quebra de imparcialidade na investigação”.
Diante da situação, a Justiça determinou o afastamento cautelar do delegado adjunto Robinson Gomes Pereira de qualquer diligência relacionada ao inquérito e também do perito citado na decisão. Além disso, ordenou a apreensão imediata do inquérito policial e o envio dos autos ao juízo.
A magistrada ainda cancelou uma reprodução simulada dos fatos que havia sido marcada para o dia 16 de junho de 2026 pela autoridade policial.
O mérito da nova hipótese investigativa — de que o disparo fatal poderia ter sido efetuado por outra pessoa e não pelos policiais denunciados — ainda não foi analisado judicialmente. A decisão trata exclusivamente da forma como a investigação complementar foi conduzida e das medidas adotadas para preservar a regularidade do processo.
O fato ocorrreu na madrugada de 22 de abril, na Pavuna, Zona Norte do Rio.
De acordo com a denúncia, os agentes, lotados no 41º BPM, efetuaram mais de 20 disparos de fuzil contra a picape em que estavam Daniel e outras três pessoas. Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local. Os demais ocupantes não ficaram feridos.
A denúncia também aponta que o crime foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com as investigações, os policiais acompanharam a movimentação na região por mais de uma hora, com acesso a informações em tempo real, e, a partir disso, definiram previamente a abordagem do veículo. Ainda de acordo com as apurações, não houve bloqueio, blitz ou ordem de parada ao empresário.