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Investigação revela império de um dos alvos da operação no São Carlos (TCP): mansão, carros de luxo, controle da internet e bloqueio de R$ 347 milhões.

Pegando como gancho a operação que teve como alvo integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos nesta semana, revelamos r detalhes sobre o que as autoridades descrevem como um verdadeiro império criminoso comandado por Rafael Carlos da Silva Ferreira, o Parazão, apontado como uma das principais lideranças da facção no Rio de Janeiro.

Segundo a investigação, Parazão não era apenas mais um traficante da organização. Os documentos afirmam que ele recebeu de Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, apontado como um dos chefes históricos do TCP, o controle do Morro da Mineira, uma das comunidades que integram o Complexo de São Carlos, na região central do Rio.

De acordo com a apuração, Coelho teria dado a Parazão “carta branca” para administrar a Mineira da forma que desejasse, consolidando sua posição como uma das figuras mais influentes da facção.

Mesmo preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, Coelho continuaria acompanhando assuntos relacionados à administração da região, segundo diálogos interceptados durante as investigações.

Domínio sobre a Mineira e ligação entre Rio e Minas

As investigações apontam que Parazão construiu uma estrutura que ultrapassava as fronteiras do Rio de Janeiro.

Além de ser identificado como o “frente” do TCP na Mineira, ele também é apontado como líder da organização criminosa conhecida como Sala VIP, com atuação no aglomerado Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte.

Para os investigadores, a estrutura funcionava como uma verdadeira empresa criminosa, com operadores financeiros, responsáveis por movimentação de dinheiro, transporte de drogas, logística e controle territorial.

Mansão, carros de luxo e vida de alto padrão

A investigação também descreve um padrão de vida incompatível com a renda formal dos envolvidos.

Segundo os investigadores, recursos atribuídos a Parazão teriam sido utilizados para aquisição de um imóvel de alto padrão no bairro Paraíso, em Belo Horizonte, além da compra de veículos de luxo utilizados por pessoas ligadas ao grupo.

Os documentos apontam que o imóvel teria sido adquirido por intermédio de pessoas próximas ao traficante e pago com recursos oriundos das atividades criminosas atribuídas à organização.

Entre os veículos citados na investigação aparecem uma Mitsubishi ASX, avaliada em cerca de R$ 70 mil, uma Mitsubishi Outlander, uma Toyota Hilux SRX avaliada em aproximadamente R$ 185 mil, além de um Volkswagen Nivus, Honda Civic, Toyota Corolla e outros automóveis que acabaram atingidos pelas medidas judiciais.

Segundo os investigadores, parte desses bens estaria registrada em nome de terceiros para dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários.

A investigação também aponta gastos elevados com imóveis, veículos, despesas pessoais e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.

Controle da internet nas comunidades

Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi o suposto controle exercido por Parazão sobre o mercado de internet em áreas dominadas pelo grupo.

Segundo diálogos interceptados, ele recebia mensalmente cerca de R$ 50 mil provenientes do chamado “negócio da internet”.

As investigações indicam que empresas concorrentes teriam dificuldades para atuar em determinadas comunidades sem autorização da organização criminosa.

Mensagens analisadas pelos investigadores mostram integrantes discutindo se determinados provedores poderiam ou não instalar serviços nas regiões controladas pelo grupo.

Rede milionária de lavagem de dinheiro

A investigação aponta a existência de uma complexa rede financeira utilizada para movimentar recursos atribuídos à organização.

Relatórios de inteligência financeira identificaram pessoas ligadas ao grupo movimentando milhões de reais em contas bancárias apesar de possuírem rendas formais baixas ou incompatíveis com os valores transacionados.

Um dos operadores financeiros citados teria movimentado mais de R$ 4,8 milhões em suas contas.

Outro investigado aparece associado a transações que ultrapassariam R$ 12 milhões.

Há ainda registros de movimentações superiores a R$ 8,6 milhões realizadas por investigados que declaravam renda mensal pouco acima de mil reais.

Segundo as autoridades, a estrutura utilizava empresas, contas de terceiros e sucessivas transferências para ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Empresas sob suspeita

Os investigadores também identificaram empresas que teriam sido utilizadas para movimentar recursos relacionados ao grupo criminoso.

Entre elas aparecem provedores de internet, empresas de transporte, importação, exportação e outros negócios que passaram a ser monitorados pelas autoridades.

Uma das empresas citadas na investigação movimentou mais de R$ 52 milhões em aproximadamente um ano.

Outra teria registrado cerca de R$ 22 milhões em operações consideradas incompatíveis com o faturamento declarado.

Para os investigadores, parte dessas empresas funcionaria como mecanismo para ocultação e circulação de dinheiro da organização criminosa.

Drogas, armas e rota entre estados

As investigações também apontam que integrantes do grupo atuavam no transporte de drogas entre Minas Gerais e Rio de Janeiro para abastecer áreas dominadas pela facção.

Os investigadores encontraram registros de negociações envolvendo cocaína, crack, maconha, drogas sintéticas e armas de fogo.

Também foram localizadas imagens de fuzis, carregamentos de entorpecentes e referências diretas ao TCP e à chamada Sala VIP.

As apurações identificaram ainda deslocamentos frequentes de integrantes do grupo para regiões próximas à fronteira com o Paraguai, área historicamente associada às rotas de entrada de drogas no Brasil.

Bloqueio de R$ 347 milhões

Diante do conjunto de provas reunidas durante a investigação, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, empresas, veículos e outros bens ligados aos investigados.

O valor das medidas patrimoniais chega a R$ 347,6 milhões.

Além dos bloqueios financeiros, a decisão também determinou restrições sobre diversos veículos apontados como ligados à estrutura investigada.

Para as autoridades, os elementos reunidos demonstram que Parazão não exercia apenas o comando armado do Morro da Mineira, mas estaria no centro de uma organização que combinava tráfico de drogas, controle econômico de territórios, exploração de serviços em comunidades e uma sofisticada engrenagem de movimentação financeira capaz de movimentar centenas de milhões de reais.

As investigações prosseguem para identificar a extensão total do patrimônio supostamente acumulado pelo grupo e a participação de outros integrantes da organização criminosa.

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