Presa ontem em operação no Complexo de Israele, Luana Rosa de Arapjo, a Madrinha da Cidade Alta”, afirmou à Justiça que foi agredida por dois policiais civis durante a prisão. Segundo seu relato na audiência de custódia, os agentes teriam dado tapas em seu rosto para que ela fornecesse a senha do celular.
Acrescentou que não sabe dizer o nome dos policiais, tendo sido os mesmos que a conduziram à Delegacia. Aponta como testemunha Rafael Guedes. Perguntada sobre as características físicas dos policiais, aponta que um deles era branco, de cabelos lisos, alto, forte, enquanto o segundo era moreno, alto, forte.
A denúncia apresentada pela presa foi encaminhada para investigação. A Justiça determinou o envio de cópias dos autos à Promotoria de Investigação Penal, à Corregedoria da Polícia Civil, à Corregedoria Geral Unificada e à Segunda Vice-Presidência.
O exame de corpo de delito realizado anteriormente, entretanto, apresentou resultado negativo. A magistrada ressaltou que a acusação ainda não foi devidamente apurada e que não seria possível presumir, neste momento, a ocorrência de excesso policial.
CELULARES REVELAM MONITORAMENTO DE VIATURAS
A prisão ocorreu durante uma operação no Complexo de Israel, realizada para o cumprimento de mandados de prisão. Segundo os policiais, Luana foi localizada em uma casa na Rua Itupuí, em Parada de Lucas.
No imóvel foram apreendidos três celulares, um tablet e um caderno com anotações relacionadas ao tráfico de drogas.
O conteúdo encontrado nos aparelhos, segundo os agentes, é considerado especialmente relevante. Após Luana fornecer a senha de um dos celulares, os policiais afirmaram ter localizado mensagens com informações sobre a localização de viaturas policiais, contabilidade do tráfico e ordens destinadas a “bocas de fumo”.
A Justiça citou esse material para apontar que, em tese, a investigada teria participação relevante na estrutura criminosa, inclusive no acompanhamento da movimentação das forças de segurança.
Entre os elementos apreendidos também está um print que, segundo a decisão, indica que Luana fazia parte de um grupo denominado “Exército de Israel”.
QUATRO MANDADOS DE PRISÃO
De acordo com o Registro de Ocorrência, Luana tinha quatro mandados de prisão em aberto, inclusive por homicídio, e figurava no Portal dos Procurados.
Os policiais a identificaram pelo vulgo de “Madrinha da Cidade Alta” e afirmaram que ela seria braço direito do traficante conhecido como “Peixão”, apontado como liderança do TCP na região.
Ainda segundo os agentes, Luana inicialmente teria informado um nome falso, dizendo chamar-se Fernanda. Sua identidade foi posteriormente confirmada pelo IPOL.
A Justiça destacou que os elementos reunidos durante a prisão apontariam, em análise inicial, para uma possível atuação de confiança dentro da organização criminosa, e não para uma participação meramente periférica.
PRISÃO PREVENTIVA
Luana foi presa em flagrante, em tese, pelos crimes previstos nos artigos 33, 35 e 40-A da Lei 11.343/2006.
O Ministério Público pediu a conversão do flagrante em prisão preventiva, alegando a gravidade concreta dos fatos e o risco de reiteração criminosa.
A Justiça manteve a prisão preventiva, considerando principalmente os quatro mandados em aberto, o histórico atribuído à investigada e o material apreendido, incluindo as mensagens sobre viaturas, contabilidade do tráfico e ordens para pontos de venda de drogas.
A acusação de agressão feita por Luana, por sua vez, seguirá para apuração pelos órgãos competentes. Até o momento, não há conclusão de que os policiais tenham praticado as agressões relatadas pela presa.