O portal G1 divulgou nesta quarta-feira que Duque de Caxias registrou mais de dez mortes nos últimos dias em meio à guerra entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP).
A informação, porém, já havia sido antecipada pelo Fatos Policiais na semana passada, quando o site revelou que uma sequência de mortes vinha ocorrendo na Baixada Fluminense após o acirramento da disputa territorial entre os dois grupos.
Segundo a reportagem do G1, um dos principais personagens apontados como responsáveis pelo atual cenário de confronto é o traficante conhecido como Bochecha Rosa, ou BX, apontado como chefe do tráfico no Corte 8, área de influência do Comando Vermelho.
O Fatos Policiais já havia informado que a escalada de violência começou justamente após BX divulgar uma mensagem nas redes sociais declarando guerra ao TCP. Desde então, a disputa passou a produzir uma sequência de ataques e mortes em diferentes pontos da Baixada Fluminense.
Ainda de acordo com as informações levantadas, BX e o traficante conhecido como Flamengo, ligado ao TCP, fizeram manifestações nas redes sociais relacionadas à morte de moradores durante a disputa, evidenciando o nível de tensão entre os grupos criminosos.
A guerra, no entanto, não ficou restrita a Duque de Caxias. O grupo comandado por BX também teria realizado ataques em Nova Iguaçu e Belford Roxo, ampliando o rastro de violência provocado pela disputa territorial.
Deputado acompanha situação no Pantanal
A escalada da violência chamou a atenção do deputado Marcelo Dino, que se reuniu com o comandante do 15º BPM, coronel Lourival do Nascimento, e acompanhou de perto a situação no Pantanal, uma das áreas atingidas pela atuação do Comando Vermelho.
O parlamentar defendeu a presença permanente do Estado nas regiões dominadas ou ameaçadas pelo crime organizado e afirmou que “território nenhum pode pertencer ao tráfico ou à milícia”, ressaltando que a autoridade e o controle territorial devem ser exercidos pelo poder público.
Durante a visita, Dino constatou ainda uma situação que demonstra a estrutura utilizada pelos criminosos para facilitar a movimentação pela região. Segundo o deputado, traficantes teriam construído um cais improvisado às margens do rio, utilizado como ponto de travessia em direção à Jerusa.
Durante a fiscalização, parte da estrutura foi retirada pela Polícia Militar. O parlamentar afirmou que continuará cobrando a remoção completa do cais clandestino.
“Recebi informações no local que criminosos ligados ao Terceiro Comando montaram esse cais para fazer a travessia pelo rio em direção à Jerusa. A polícia já retirou parte da estrutura usada para auxiliar a travessia. Agora vamos cobrar para que o restante seja removido, pois cada vez mais a atuação do crime organizado tem que ser dificultada”, afirmou.
Operação mira articulação do CV
Em meio à escalada da disputa, a Polícia Militar realiza nesta quarta-feira operações simultâneas em comunidades da Zona Norte do Rio e em Duque de Caxias.
A ação foi desencadeada a partir de informações de inteligência que apontam para a realização de reuniões de integrantes do Comando Vermelho em comunidades da região. Segundo os levantamentos, os criminosos estariam articulando uma tentativa de avanço territorial sobre Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, localidades que formam o chamado Complexo de Israel.
As cinco comunidades são apontadas como áreas de influência do Terceiro Comando Puro e vêm sendo alvo de recentes ações da Polícia Militar, que contribuíram para enfraquecer a atuação de grupos criminosos na região.
A operação desta quarta-feira ocorre nas comunidades do Quitungo, Guaporé, Furquim, Dique e Ficap, na Zona Norte do Rio, além do Parque das Missões, em Duque de Caxias.
De acordo com as informações de inteligência, o objetivo da operação é impedir a movimentação e a articulação de criminosos, conter a disputa territorial e evitar novas tentativas de expansão do Comando Vermelho sobre comunidades do entorno.
A ofensiva também integra a estratégia da Polícia Militar de atuar preventivamente a partir de informações de inteligência, buscando interromper articulações criminosas antes que elas resultem em novos confrontos e preservar o controle territorial nas áreas de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau.
O cenário revela que a disputa iniciada na Baixada Fluminense ultrapassou os limites de Duque de Caxias e passou a envolver diferentes pontos da Região Metropolitana do Rio, colocando comunidades sob ameaça de novos confrontos e obrigando as forças de segurança a intensificar as operações para impedir uma nova ofensiva territorial do crime organizado.