Um depoimento considerado estratégico pela investigação sobre a guerra entre o Comando Vermelho e a milícia na Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio, teria provocado preocupação dentro da própria facção e ajudado a sustentar a ação penal contra traficantes apontados como envolvidos em um ataque que terminou com um morto e dois feridos.
Segundo a decisão judicial, R.R.G relatou aos investigadores informações que teria obtido diretamente de pessoas ligadas ao crime. Em seu depoimento, ele atribuiu participação no ataque a Francisco Glauber Costa de Oliveira, o “GL”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Gardênia Azul, além de Leonardo de Araújo Alves da Silva, o “Fielzinho”, e Aldenir Martins do Monte Júnior, o “China”.
O caso investigado envolve a morte de Ricardo, a tentativa de homicídio contra William e lesões causadas em José, crimes que, segundo a acusação, ocorreram no contexto da sangrenta disputa territorial entre traficantes e milicianos pela região.
Conversas revelaram preocupação na facção
De acordo com o processo, mensagens interceptadas entre criminosos identificados como “Lesk” e “PTK” mostrariam preocupação com o fato de Rafael ter fornecido informações sobre diversos homicídios atribuídos ao Comando Vermelho durante a guerra da Gardênia Azul.
Para a Justiça, as conversas reforçam os indícios reunidos ao longo da investigação e demonstram que os relatos do depoente repercutiram entre integrantes da própria organização criminosa.
Justiça mantém prisão de acusados
Ao analisar a defesa de GL, o juiz rejeitou os pedidos para anular provas, encerrar o processo e revogar a prisão preventiva.
Na decisão, o magistrado destacou que existem elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal e que os fatos investigados possuem extrema gravidade por estarem relacionados à atuação de uma organização criminosa armada em disputa por território.
Continuam presos por ordem judicial GL, Fielzinho e China.
Já Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, e Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, também tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas ainda não foram capturados pelas autoridades.
Segundo a decisão, a manutenção das prisões foi considerada necessária para garantir a ordem pública, proteger a instrução criminal e evitar novos episódios de violência relacionados à guerra entre facções e milicianos na Zona Oeste do Rio.