A denúncia do Ministério Público revela a dimensão empresarial atribuída à organização criminosa ligada ao traficante conhecido como Rabicó do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
Segundo a investigação, o grupo teria utilizado mais de 20 empresas espalhadas por diversos segmentos econômicos para movimentar milhões de reais e ocultar a origem dos recursos sob suspeita.
O que mais chama atenção é a variedade dos negócios citados nos autos. Entre as empresas mencionadas aparecem companhias dos setores de reciclagem de sucata, comércio de metais, transportes, logística, reboque de veículos, energia solar, informática, cursos preparatórios, importação, comércio de alimentos, varejo online, armarinho, pagamentos, assessoria empresarial, intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, comunicação (jornal), comércio de mercadorias em geral não especializado”, alimentos (Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares_além até mesmo de uma sorveteria localizada na Ilha de Itaóca, em São Gonçalo., e suprimentos para processamento de dados, comercio varejista, plastificação, corretagem de automóvel, distribuição de correspondência, malote, administração de veículos automotores, correspondentes bancários, mala direta, escritório virtual, serviços de assessoria administrativa, informações cadastrai, serviços de salas de internet.
A investigação cita ainda clínicas de serviços estéticos, sendo uma delas supostamente localizada na França e outra no Complexo do Salgueiro vinculadas a esposa de um dos membros da quadrilha de Rabicó.
As empresas eram de fachada e usadas, notadamente, com o propósito de ocultar, dissimular e reinserir recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
Chama atenção também a ausência de estrutura operacional (funcionários registrados e infraestrutura física) e compatível com os vultosos valores movimentados pelas firmas, reforçando a tese de que tais empresas não exercem atividade econômica legítima
Uma delas, por exemplo, movimentou cerca de R$ 32 milhões no intervalo de um ano. O jornal fez circular R$ 58 milhões,
Tinha empresa, inclusive, localizada fora do RJ. Foram descobertas firmas no Paraná e em São Paulo.
O núcleo empresarial, portanto, não apenas servia como meio de ocultação da origem dos recursos, mas também como rota de dispersão e pulverização dos valores, beneficiando diretamente os integrantes da organização criminosa, inclusive seus líderes e operadores financeiros