Segundo a denúncia do Ministério Público, o nome de “Matuto Falcão” aparece nas investigações como um dos principais fornecedores de armas e drogas ligados ao grupo criminoso chefiado por Rabicó. As apurações apontam que ele seria responsável por intermediar ou fornecer carregamentos destinados à facção, mantendo conexões com criminosos de outras áreas dominadas pelo Comando Vermelho, como o Complexo da Penha
As investigações revelam que Magrinho Brizola atuava como um dos responsáveis pelas negociações envolvendo a aquisição desses armamentos e entorpecentes. Conversas analisadas pelos investigadores mostram tratativas relacionadas à compra de drogas e armas, além de movimentações financeiras destinadas a viabilizar essas operações. Em um dos episódios citados na denúncia, uma transferência de R$ 5 mil teria sido utilizada em uma negociação relacionada ao abastecimento da organização criminosa.
Para o Ministério Público, as mensagens demonstram que Magrinho Brizola exercia papel estratégico dentro da engrenagem criminosa, funcionando como interlocutor entre integrantes da facção e fornecedores externos, entre eles o homem identificado pelo vulgo “Matuto Falcão”, apontado como peça importante na cadeia de suprimentos do grupo.
egundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, um dos bens que chamou a atenção dos investigadores foi uma residência localizada na Rua Elvira Maria da Dores, nº 5, no bairro Iguabella, em Iguaba Grande, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Embora o imóvel esteja formalmente registrado em nome de Bruno P.C, os promotores sustentam que a propriedade seria, na prática, utilizada pela família de Rabicó.
De acordo com a investigação, a análise dos dados extraídos de aparelhos eletrônicos revelou uma série de fotografias e registros que mostrariam a presença frequente de Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira de Rabicó, além de familiares e pessoas próximas ao casal, no imóvel. As imagens retratariam momentos de lazer, reuniões familiares e situações cotidianas, indicando que a residência seria utilizada de forma contínua pela família do traficante.
A denúncia destaca ainda que foram identificados documentos e comprovantes relacionados à manutenção da propriedade. Segundo os investigadores, despesas ordinárias, como serviços de internet e outras contas ligadas ao funcionamento da casa, seriam administradas ou pagas por pessoas ligadas ao núcleo familiar de Rabicó, apesar de o imóvel permanecer registrado em nome de um terceiro.
Outro ponto citado pelo Ministério Público é uma conversa atribuída a Raquel na qual ela teria cobrado de Rabicó providências para que a propriedade fosse transferida para o nome da filha do casal. Para os promotores, o diálogo seria um indicativo de que a família se considerava a verdadeira beneficiária do imóvel, independentemente da titularidade formal registrada nos documentos oficiais.
Os investigadores afirmam que o caso da casa de Iguaba Grande se encaixa em um padrão identificado ao longo da apuração: bens registrados em nome de terceiros, mas utilizados e administrados por integrantes da organização criminosa. Segundo a acusação, esse mecanismo teria como objetivo dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários e proteger o patrimônio contra eventuais medidas judiciais de bloqueio ou sequestro.
A residência de Iguaba Grande não é o único bem mencionado na denúncia. O Ministério Público aponta que veículos e outros imóveis também teriam sido colocados em nome de pessoas próximas ou de terceiros, formando uma rede de suposta blindagem patrimonial destinada a ocultar a origem dos recursos e a propriedade efetiva dos bens utilizados pela cúpula da organização criminosa. Entretanto, a casa de Iguaba ganhou destaque por conta da quantidade de registros fotográficos, documentos e mensagens encontrados durante a investigação, que, segundo os promotores, demonstrariam seu uso direto pela família de Rabicó.