A reportagem deste site l foi responsável por dar o pontapé inicial na divulgação dos desdobramentos das investigações sobre o homicídio do capoeirista Paulinho Sabiá, assassinado em fevereiro deste ano, em Niterói.
Em 22 de março, noticiamos com exclusividade que a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) havia representado à Justiça pelo pedido de prisão temporária de um suspeito de envolvimento no crime. À época, também revelamos informações inéditas sobre a dinâmica da ação criminosa e o avanço das apurações.
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O investigado citado na ocasião, Juan Nunes, foi preso no último fim de semana. De acordo com informações apuradas posteriormente, ele teria indicado à polícia a suposta participação da irmã da vítima, Adriana Souza, como possível mandante do crime. Ela foi presa nesta semana. A motivação, segundo as investigações, estaria relacionada a questões financeiras — ponto que ainda é apurado oficialmente pelas autoridades.
Na publicação de 22 de março, nossa reportagem já havia destacado que o suspeito mantinha, em redes sociais, imagens nas quais aparecia ostentando armamento de grosso calibre, incluindo fuzis, em áreas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
Além disso, antecipamos detalhes relevantes da investigação que, posteriormente, foram confirmados por outros veículos de imprensa, como o monitoramento prévio da rotina da vítima.
Segundo as informações obtidas pelo portal junto às investigações, o Grupo de Investigação de Niterói (GI Niterói) analisou imagens que indicam que, no dia 16 de fevereiro de 2026 — data de uma tentativa de execução anterior — dois indivíduos ingressaram em Niterói pela Ponte Rio-Niterói por volta das 18h19, utilizando uma motocicleta vermelha.
Os ocupantes teriam permanecido por cerca de duas horas nas imediações da residência de Paulinho Sabiá, em aparente ação de vigilância.
Ainda conforme a apuração, um terceiro indivíduo teria chegado à cidade na garupa de uma motocicleta azul, desembarcando em frente ao prédio da vítima por volta das 16h40, passando a acompanhá-la à distância até o local onde ocorreu a tentativa de homicídio naquele mesmo dia.
As investigações indicam que esse mesmo suspeito teria solicitado uma corrida por aplicativo com destino exatamente em frente ao endereço da vítima, o que reforça a hipótese de participação no planejamento logístico da ação criminosa.
A análise do material aponta para uma atuação coordenada entre os envolvidos, com divisão de tarefas e possível comunicação em tempo real, caracterizando uma vigilância estruturada e previamente organizada.
No dia do homicídio, em 18 de fevereiro, as imagens analisadas mostram que a mesma motocicleta vermelha utilizada na tentativa anterior voltou a entrar em Niterói, por volta das 19h20.
Os suspeitos seguiram até o bairro de São Francisco, onde a vítima dava aulas de capoeira, permanecendo nas proximidades até a saída de Paulinho e sua namorada.
O casal seguiu em direção a Icaraí, sendo acompanhado durante o trajeto. Na Avenida Sete de Setembro, a motocicleta emparelhou com o veículo da vítima, momento em que foram efetuados os disparos que atingiram fatalmente o capoeirista.
De acordo com a investigação, a posição da motocicleta — ao lado do passageiro — indica que a vítima foi o alvo direto da execução.
Os elementos reunidos apontam que os eventos dos dias 16 e 18 de fevereiro estão interligados, evidenciando uma ação criminosa reiterada e previamente planejada.
O caso segue sob investigação, e as autoridades ainda trabalham para esclarecer completamente a motivação e identificar todos os envolvidos.