Relatórios e decisões judiciais apontam que integrantes de forças de segurança e ex-agentes públicos são investigados por suposta participação em homicídios e atentados que, segundo as apurações, teriam possível ligação com o grupo comandado pelo contraventor Adilsinho, que fo preso ontem.
De acordo com relatório mencionado em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi registrada denúncia anônima junto ao Disque Denúncia (registro nº 4203.6.2022, de 20/06/2022), relatando que policiais militares do 15º BPM, identificados pelos apelidos de “sargento Dutra” e “sargento Lemos”, além de um ex-policial militar chamado Arlindo, estariam supostamente envolvidos em diversos homicídios na Baixada Fluminense e na capital.
Segundo o teor da denúncia reproduzido nos autos, o grupo seria investigado, entre outros fatos, pela morte do ex-policial civil Tiago Barbosa, em Nova Iguaçu (IP nº 861-00533/2022); pelo possível envolvimento no homicídio do policial militar Ezequias Penido da Rosa, em Duque de Caxias (IP nº 861-00110/2022); e pela morte do policial civil João Joel de Araújo, na Ilha de Guaratiba (IP nº 901-00398/2022). As investigações seguem em andamento.
A denúncia anônima também mencionaria que “Dutra e Lemos” teriam eventual ligação com o contrabando de cigarros e que parte dos homicídios atribuídos ao grupo poderia ter sido praticada sob ordens de integrantes da organização criminosa investigada. As informações constam nos relatórios policiais e são objeto de apuração judicial.
Dutra, também conhecido como “Sem Alma”, teria sido excluído da corporação e figura como investigado e réu em ações penais relacionadas a outros homicídios, incluindo o do miliciano conhecido como “Marquinho Catiri” e de seu segurança. Em decisões judiciais, há referência à hipótese de atuação em estrutura criminosa organizada, tese que ainda será analisada no curso dos processos.
Outro caso mencionado em investigações é o do policial militar Daniel Mendonça Silva, morto em 18 de abril de 2023, em Marechal Hermes. Conforme os autos, “Sem Alma” e um ex-PM são investigados por possível envolvimento no crime.
Também tramita ação penal relativa à morte do empresário Cristiano de Souza, ocorrida em 6 de junho de 2023, no Recreio dos Bandeirantes, do qual Sem Alma é um dos réus Segundo consta no processo, a vítima atuava no ramo de cigarros e teria se mudado para Juiz de Fora (MG) após relatar ameaças. De acordo com o Ministério Público, o crime teria apresentado modus operandi semelhante ao utilizado em outros homicídios sob investigação (como o assassinato do policial penal Bruno Keiler), com a suposta utilização de rastreador GPS fixado nos veículos das vítimas. Um PM conhecido como Maia também é investigado no caso
“Maia”também figura como réu em processo que apura o homicídio de Fabrício Alves Martins de Oliveira (IP nº 901-00871/2022). Em relação a esse caso, a Justiça decretou a prisão preventiva de “Adilsinho”, apontando possível conexão com disputas entre organizações criminosas rivais pelo controle do comércio clandestino de cigarros.
No assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrido no Centro do Rio em 2023, investigações indicam a suposta participação de um policial militar, que foi preso preventivamente. Conforme consta nos autos, ele teria, em tese, fornecido veículos utilizados no crime. O caso segue em tramitação.
O grupo investigado também é citado em apuração sobre a morte do policial civil José Carlos Queiroz Vianna, em Niterói. Segundo informações constantes nos inquéritos, perícias teriam apontado eventual coincidência de armamentos utilizados em outros homicídios sob investigação. Dois policiais militares foram presos preventivamente nesse contexto, além de um homem apontado como ex-integrante do grupo de Adilsinho, conhecido como Kiko.
A Polícia Civil ainda apura possível participação de pessoas ligadas ao grupo no atentado contra o contraventor Vinicius Drumond, ocorrido na Barra da Tijuca. Um policial militar e um ex-PM chegaram a ser presos no curso das investigações.
Outro policial, conhecido como “Coala”,ligado a Sem Alma, foi preso preventivamente sob suspeita de envolvimento em atentado contra um agente da Seap conhecido como Mizinho supostamente ligado a Bernardo Bello
Ele também é investigado pelo homicídio de Emerson Teles de Menezes, ocorrido em 10/05/2024. Segundo decisão judicial, há nos autos registro de vídeo supostamente gravado pelo próprio investigado portando armamento de uso restrito (um fuzil AK 47) coincidindo com os estojos encontrados no local do crime., fato que será analisado no decorrer do processo.
Todos os citados nas investigações são considerados inocentes até o trânsito em julgado de eventual sentença penal condenatória. Os casos seguem sob análise do Poder Judiciário.