Investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e processos que tramitam no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ) indicam que o grupo apontado como liderado pelo contraventor Adílson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, preso hoje, é suspeito de envolvimento em pelo menos 18 homicídios ocorridos nos últimos anos no estado.
De acordo com decisões judiciais já proferidas, o bicheiro teve a prisão preventiva decretada em ao menos quatro desses casos. Nos demais episódios, a suposta participação do grupo ainda é objeto de investigação.
Segundo consta em autos processuais, parte dos crimes teria sido cometida com o mesmo armamento, elemento que, conforme apontado nas apurações, reforça a linha investigativa de possível atuação coordenada.
Casos sob investigação
A seguir, a relação de vítimas mencionadas em investigações e processos judiciais que apuram eventual ligação do grupo:
- Rodrigo Marinho Crespo – advogado morto no Centro do Rio, em 2024. Caso sob investigação.
- Marquinho Catiri – miliciano morto em 2022 na comunidade do Guarda, em Del Castilho. Há decreto de prisão contra Adilsinho neste caso.
- Sandrinho – segurança de Catiri, morto na mesma data. Também há decreto de prisão.
- Emerson Teles de Menezes – comerciante morto em Bangu, em 2024. Caso sob investigação.
- Cristiano de Souza – dono de tabacaria morto em 2023 no Recreio dos Bandeirantes. Investigação em andamento.
- Bruno “Killer” da Conceição Fernandes – policial penal morto em 2023 no Recreio. Sob investigação.
- Anderson Reis dos Santos – desaparecido. Caso investigado.
- Alexandro dos Santos Marques – desaparecido. Caso investigado.
- Fabrício Alves Martins – morto em 2022. Há decreto de prisão preventiva.
- Fábio Alamar – morto em 2022. Também com prisão decretada.
- Thiago Barbosa – ex-policial civil morto em 2022 em Nova Iguaçu. Investigação em curso.
- Ezequias Penido da Rosa – policial militar morto em 2022 em Duque de Caxias. Caso sob apuração.
- João Joel de Araújo – policial civil morto na Ilha de Guaratiba. Investigação em andamento.
- Fernando Marcos Ferreira Ribeiro – morto em 2023 na Tijuca, em contexto investigado como possível disputa envolvendo o contraventor Bernardo Bello.
- Antônio Gaspazianni Chaves – comerciante morto em Vila Isabel, em 2024, também em caso apurado sob hipótese de disputa entre grupos rivais.
- Daniel Mendonça da Silva – policial militar morto em Marechal Hermes, em 2023, apontado em investigações como ligado a Bernardo Bello.
- Matheus Haddad, vulgo Max -Policial Militar envolvido com fabricação clandestina de cigarros e morto em função de disputas territoriais no âmbito da fabricação clandestina de cigarros)
As investigações ainda apuram se há conexão formal entre todos os episódios.
Atentados e possíveis conexões
O grupo também é investigado por suposto envolvimento:
- No atentado contra o filho do contraventor Luiz Cabral, ocorrido no Centro do Rio em 2023;
- No ataque ao bicheiro Vinicius Drumond, registrado ano passado na Barra da Tijuca.
Outro ponto destacado em investigações é que as armas utilizadas no homicídio do policial civil José Carlos Queiroz Vianna, ocorrido este ano em Niterói, teriam sido empregadas também nas mortes de Cristiano de Souza e Antônio Gaspazianni Chaves. A Polícia Civil apura eventual ligação entre os crimes.
Outros investigados
O policial militar Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como “Sem Alma”, apontado em investigações como ligado a Adilsinho, responde a processo por pelo menos três homicídios mencionados nas apurações: Daniel Mendonça, Cristiano de Souza e Marquinho Catiri.
Situação processual
Parte dos casos já resultou em decretação de prisão preventiva. Outros seguem em fase de investigação, sem denúncia formal até o momento.
As defesas dos citados podem se manifestar sobre as acusações. O espaço permanece aberto para posicionamento.
O advogado de Adilsinho disse que ele nega qualquer envolvimento em homicídios e máfia dos cigarros.