Alvo principal da operação policial hoje no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo o traficante Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, movimentava milhões com a venda de drogas em seu principal reduto, e participava pessoalmente das negociações para a aquisição de munições, armas e entorpecentes para a quadrilha..
Uma investigação feita anos atrás mostrou que o bandido chegou a ter pouco mais de R$ 5 milhões em caixa.
A apuração relatou gastos da quadrilha com recargas, prestação de um carro preto, viagens, almoço, cadastramento de telefones celulares, internet, kit gás e até com uma casa que estava sendo construída para Rabicó em Santa Catarina.
O trabalho mostrou conversas entre Rabicó e o antigo aliado Thomaz Jahyson Vieira Gomes, o então 2N, em que o chefe afirmou estar comprando 23 caixas de munição calibre 556 de fuzil.
2N rebateu dizendo que tinha um amigo com 50 caixas de munição para fuzil AK-47, 50 de 9 milímetros e 10 de 45, ambos de pistolasRabicó então afirmou a 2N que iria pagar R$ 500 nas munições de AK, mas não queria as ´de 9mm´, e precisava que as munições fossem entregues imediatamente.2N´ explicou a ele que as munições vinham vindo do Paraguai, mas já se encontravam do lado brasileiro da fronteira e chegavam em uma semana´
2N virou 3N e se tornou inimigo mortal de Rabicó. Já falecido, 3N chegou a querer tomar o Complexo do Salgueiro.
Em outro trecho, Rabicó questionou se um comparsa entregou R$ 300 mil para um matuto (fornecedor de drogas e armas) no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio.
Há um caso em que Rabicó falou para um aliado que alguém teria que levar 50kg de ´cavalo´ (cocaína pura) e, por isso, tinham separar R$ 250 mil, R$ 70 de frete por quilograma, totalizando R$ 3.500. Rabicó comentou com mais um aliado que já havia comprado 500kg de maconha e separado seis fuzis Parafal 7,62mm, 24 pentes e caixas de munição.
Em seguida, afirmou que a intenção era comprar um caminhão para levar apenas as armas e munições para o Rio de Janeiro.
Ele chegou a dizer que havia depositado para um fornecedor a quantia de R$133.000,00, divididos em parcelas de R$9.500, por 14 bancos diferentes e pediu a confirmação se o dinheiro do depósito já havia caído na conta do ´mano dos bicos´ (fornecedor de armas).
Chamou a atenção também a negociação de Rabicó com outro chefão do Comando Vermelho, Luís Cláudio Machado, o Marreta. Rabicó encomendou 50 kg de drogas e perguntou a Marreta tem pedra (referência a 1kg) para adiantar, dizendo que 30 ou 20 pedras bastam.
Rabicó ainda perguntou ao comparsa se ele tinha como arrumar cinco caixas de munições para AK-47.Rabicó também negociou com o traficante Monstrão da Mangueira.
Em uma escuta, ele perguntou ao aliado se conhecia alguém que possa levar 50kg para ele. ´Monstrão´ disse na época que tem um amigo que faz frete para ´nós´ (sic) (referência ao núcleo de traficantes liderado por ´Marreta´) e que cobra ´100 por kg´ (sic).Em outro inquérito,
Rabicó já preso foi apontado, além das transações relativas ao comércio de drogas e armas, comandar o tráfico na comunidade do Salgueiro, dando ordens, detalhando e fiscalizando cada integrante da quadrilha, tudo do interior do ComplexPenitenciário de Gericinó, em Bangu, por meio de contatos telefônicos.
Um dos trechos captados, ele fala com a mulher que menciona que mandou preparar bucho de boi para refeição, conforme ele havia pedido e que lhe entregaria na próxima visita.Em outra escuta, Rabicó deu uma bronca em um subordinado: ” irmão, se liga. Eu tô te pedindo, tô falando e você tem que cumprir essa porra aí ou então sai …então, veja bem o que eu tô falando para você. Se você não está satisfeito de trabalhar comigo, parceiro, e de ouvir o que eu tô falando, você deixa meu bagulho aí, certo parceiro.
Mais recentemente, Rabicó foi reconhecido por motoristas como.participante de roubos de cargas na Rodovia BR-101 no ano passado. Chamado de chefe pelos comparsas, ele empunhava fuzil nas ações.
Ele autorizou os roubos de veículos na estrada como forma de complementar os lucros de sua quadrilha.