Escutas, documentos judiciais e registros de comunicação apontam atuação de Naldinho na estrutura de comando do CV, incluindo reunião com outras lideranças, transmissão de ordens e mobilização de presos contra agentes penitenciários
Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Naldinho ou Samuray, aparece em investigações como um dos integrantes de maior influência do Comando Vermelho mesmo estando recolhido ao sistema penitenciário.
Com penas que ultrapassam 80 anos de prisão, ele é apontado em documentos judiciais como integrante da chamada “Casa Maior” do Comando Vermelho, núcleo ao qual as investigações atribuem participação em decisões estratégicas da organização.
Uma reunião que revela a articulação da facção
Um dos elementos mais reveladores consta de material produzido a partir da análise de dados apreendidos pelas autoridades.
O documento apresenta um print de uma tela de celular com registros de chamadas pelo WhatsApp e identifica uma suposta chamada coletiva com duração aproximada de duas horas.
Entre os participantes aparecem os presos Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho/Samuray; Eliezer Miranda Joaquim, o Criam; Marcos Antonio Pereira Firmino da Silva, o My Thor; e Roberto, o Metralha.
Também teriam participado da chamada outros integrantes apontados como relevantes na estrutura do Comando Vermelho: Edgard Alves de Andrade, o Doca; Luciano Martiniano da Silva, o Pezão; Wilton Carlos Rabelo Quintanilha, o Abelha; Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau; e Jorge Alexandre Candido Maria, o Sombra.
O registro é um dos elementos que ajudam a mostrar como integrantes da organização conseguiam manter comunicação entre si mesmo estando encarcerados ou em diferentes posições dentro da estrutura criminosa.
Apontado como integrante da “Casa Maior”
Em processo relacionado à atuação do Comando Vermelho no Acre, Naldinho é descrito como conselheiro da facção e integrante da “Casa Maior” no Rio de Janeiro.
O documento também o classifica como indivíduo de alta periculosidade e registra que a Polícia Federal o teria apontado como um dos braços direitos de Fernandinho Beira-Mar.
Segundo a acusação, Naldinho teria integrado e promovido pessoalmente o Comando Vermelho, organização descrita no processo como estruturada e dividida em funções, com atuação em crimes como tráfico de drogas, homicídios, tortura e crimes contra o patrimônio.
A participação atribuída a ele teria sido identificada a partir da análise de comunicações telefônicas e dados telemáticos obtidos durante as investigações.
Ordens transmitidas de dentro da prisão
As investigações realizadas a partir das comunicações de 2024 acrescentam outro elemento à atuação atribuída a Naldinho.
Segundo os documentos, ele articulava e transmitia ordens a outros integrantes do Comando Vermelho, indicando que sua influência não estaria restrita ao ambiente prisional.
O caso reforça a preocupação das autoridades com a utilização de celulares e outros meios clandestinos de comunicação para manter a atuação de organizações criminosas mesmo com seus integrantes encarcerados.
Mobilização de presos contra agentes
Ainda em 2024, Naldinho teria protagonizado outro episódio dentro do sistema penitenciário.
Segundo a investigação, ele incitou o coletivo de presos contra agentes penitenciários para impedir a realização de um procedimento de revista.
Durante a ocorrência, foram apreendidos 13 aparelhos celulares.
O episódio ganha relevância justamente por envolver uma tentativa de impedir uma ação de fiscalização dentro da unidade prisional e pela apreensão dos equipamentos utilizados para comunicação clandestina.
A tentativa de sair da prisão com documento falso
A relação de episódios envolvendo Naldinho inclui ainda uma tentativa de obter a liberdade em 2021 mediante a utilização de um alvará falso.
O caso acrescenta outro capítulo à trajetória do criminoso, que, segundo os documentos analisados, acumulou condenações superiores a 80 anos e continuou sendo citado pelas autoridades em investigações sobre a estrutura do Comando Vermelho.