Um relatório anexado a um processo que tramita na Justiça do Rio lançou novas luzes sobre a atuação dos chamados “justiceiros” da Zona Sul e aponta que líderes do grupo teriam utilizado o movimento como instrumento de projeção política e eleitoral. O caso voltou a ganhar repercussão nesta semana após novas movimentações judiciais envolvendo a página @anjosdaguarda.rio, ligada ao grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária”, conhecido por divulgar nas redes sociais ações violentas contra suspeitos de furtos em bairros como Copacabana, Botafogo, Flamengo e Leblon.
Nos documentos apresentados à Justiça, os autores da ação sustentam que os responsáveis pelo movimento tinham “fins eleitoreiros” e buscavam capitalizar politicamente a imagem de “combatentes do crime” na Zona Sul carioca.
O relatório cita nominalmente William Correia da Silva Junior, apontado como ex-funcionário comissionado da Prefeitura do Rio e candidato a vereador em eleições anteriores. Segundo os autos, ele teria utilizado o crescimento do movimento para ampliar sua projeção pública através de vídeos, ações de rua e patrulhamentos divulgados nas redes sociais.
Outro nome citado é de um advogado apontado como aliado do grupo e ex-candidato à Prefeitura de Petrópolis. A ação sustenta que ambos teriam atuado “em concurso de agentes”, utilizando a repercussão do movimento para fortalecimento político e eleitoral.
O relatório descreve o grupo como uma organização que passou a atuar de forma sistemática em áreas da Zona Sul promovendo ações de vigilantismo urbano.
Segundo os autos, os integrantes realizavam perseguições, abordagens coletivas, espancamentos e exposições públicas de suspeitos, com ampla divulgação dessas ações nas redes sociais. Os documentos afirmam que adolescentes, moradores de comunidades e pessoas em situação de rua apareciam frequentemente nos vídeos publicados pelo grupo.
A ação vai além e acusa o movimento de praticar racismo, tortura, exposição ilegal de menores, exercício arbitrário das próprias razões, usurpação de função pública e até formação de milícia privada.
Em um dos trechos mais duros do processo, os autores afirmam que o grupo “atua como uma facção criminosa”, utilizando o discurso de combate à criminalidade como justificativa para ações violentas nas ruas.
O relatório afirma ainda que o movimento teria começado em Copacabana e posteriormente ampliado atuação para Botafogo, Flamengo, Leblon e Centro do Rio.
Os documentos mencionam que os integrantes montavam barracas em vias públicas, distribuíam panfletos e promoviam ações em áreas movimentadas para atrair apoio popular e transmitir aparência de organização oficial de segurança comunitária, apesar de não possuírem qualquer atribuição policial.
Outro ponto explorado no processo é a tentativa dos organizadores de associar o grupo carioca a movimentos comunitários surgidos nos Estados Unidos.
Segundo os autos, os responsáveis afirmavam publicamente que o projeto teria sido inspirado em organizações de patrulhamento urbano de Nova York. A narrativa, porém, é contestada pela entidade Guardian Angels Brasil, que acusa o grupo de deturpar a origem do movimento internacional criado em 1979 por Curtis Sliwa.
Os documentos afirmam que os Guardian Angels originais nunca incentivaram agressões, perseguições violentas ou exposição pública de suspeitos.
A ação também sustenta que o grupo utilizava a sensação de insegurança na Zona Sul para fortalecer apoio político.
Segundo os documentos, o discurso de “combate ao crime” passou a ser explorado como ferramenta de mobilização eleitoral, principalmente através das redes sociais.
Os autos afirmam que os integrantes utilizavam uniformes padronizados, promoviam ações filmadas, realizavam transmissões ao vivo e buscavam associação com autoridades e figuras públicas para ampliar legitimidade junto à população.
Os documentos anexados ao processo ainda mencionam acusações de que vídeos publicados pelo grupo mostrariam jovens sendo perseguidos, agredidos e expostos publicamente antes de qualquer decisão judicial.
Há também referências a episódios envolvendo perseguições próximas à praia, incursões em bairros da Zona Sul e até ataques contra adolescentes que retornavam para comunidades após passarem o dia na orla.
Apesar de ter negado o pedido de retirada imediata da página do Instagram, a Justiça decidiu manter o processo em andamento e reconheceu a existência de controvérsias relevantes envolvendo a atuação do grupo.
O magistrado determinou continuidade da produção de provas, incluindo possibilidade de perícia e apresentação de ata notarial.
Com isso, o caso volta ao centro do debate público justamente em meio ao crescimento das discussões sobre grupos de “justiceiros” atuando nas ruas do Rio de Janeiro e os riscos da utilização do medo e da violência urbana como ferramenta de projeção política.
Um dos citados, William, se posicionou nas redes sociais
Alem da resposta jurídica , Tive que me posicionar aqui, para esclarecer alguns pontos sobre essa ação contra mim.
Infelizmente nos população de bem segundo alguns, temos que aceitar essa realidade de violência .
Esse menores roubam, agridem, mat@m e ainda devem ser mesmo protegidos até quando por essa lei?
E cadê a nossa defesa? Cadê a lei para nos proteger? Por que só funciona pro lado dos vagabund0s? Até quando?
Botar a cara desses gansos , seja menores ou não, mas em FLAGRANTE, após denúncias de VÍTIMAS, é errado pra quem?
Precisamos SIM, saber a cara deles para nos protegermos e anteciparmos o crime, graças aos meus vídeos, muitos foram presos pois vítimas antigas reconheceram, outros certamente com medo da exposição pararam ou mudaram a rota… isso é um serviço para população, mas para alguns INCOMODA.
Seguirei até onde eu puder para que os resultados que construí se mantenham e melhoram cada dia mais e que mais bairros tenham o mesmo!
Mesmo achando um absurdo, decisão judicial se cumpre, então retirei os vídeos mencionados pelo @mprj.oficial e estou a disposição, como sempre, para maiores esclarecimento