A investigação sobre o espancamento que terminou em morte de Cláudio Rafael Landeiro Moreira em Copacabana ganhou uma nova dimensão. Não foi apenas a identificação de mais um suspeito: imagens de câmeras de segurança analisadas em 19 de agosto fizeram a polícia rever o tamanho da participação de Davi Santos Machado e permitiram individualizar Jorge Luiz Ricardo Dias na sequência que antecedeu as agressões.
A partir desses elementos, a Justiça decretou a prisão temporária dos dois por 30 dias. Outros dois também tiveram a prisão decretada sendo que um deles (Felipe Eduado Santos Silva) também foi preso.
O detalhe mais revelador está na própria mudança de versão de Davi.
Segundo a decisão judicial, ele compareceu espontaneamente à delegacia e, inicialmente, afirmou que havia dado apenas um soco no braço de Claudio. Também negou ter presenciado ou participado das agressões que aconteceram depois.
Com o avanço das diligências, porém, essa versão mudou. Davi passou a admitir que havia participado diretamente da violência. Conforme consta na decisão, ele reconheceu ter desferido, junto com outros dois indivíduos, socos, pontapés e golpes com bastão ou cassetete, inclusive na região da cabeça da vítima.
Foi nesse ponto que as imagens passaram a ter papel central na investigação.
A imagem que mudou o rumo do caso
As gravações analisadas no dia 19 de agosto, segundo a polícia, não apenas confirmaram que Davi estava envolvido. Elas teriam mostrado uma atuação mais intensa do que a apresentada inicialmente pelo próprio investigado.
A decisão descreve uma sequência de socos, chutes e golpes de cassetete contra Claudio que teria se prolongado por mais de seis minutos.
O aspecto considerado mais grave pela Justiça é que a violência não teria terminado quando Claudio caiu.
Segundo os elementos apresentados pela polícia, as agressões continuaram quando a vítima já estava no chão e sem condições concretas de defesa.
É justamente essa dinâmica que aparece como um dos fundamentos para a classificação do caso como homicídio qualificado pelo recurso que teria dificultado ou tornado impossível a defesa da vítima.
Jorge apareceu em uma etapa anterior da história
As mesmas imagens produziram outro efeito importante: permitiram à investigação individualizar Jorge Luiz Ricardo Dias.
A decisão não afirma que Jorge tenha sido filmado desferindo os golpes responsáveis diretamente pelas lesões fatais. O que os investigadores sustentam é que ele aparece junto de Davi desde os momentos iniciais e permanece inserido na sequência dos acontecimentos que culminou na morte.
Um dos pontos destacados pela polícia é a disputa envolvendo a bicicleta de Claudio.
Segundo a representação policial, Jorge aparece conduzindo o veículo enquanto Claudio o seguia. A partir dessa situação, os acontecimentos evoluem até a sequência de agressões posteriormente registrada pelas câmeras.
Para a Justiça, os elementos são suficientes, nesta fase, para apontar fundadas razões de participação de Jorge. A decisão ressalta, entretanto, que a individualização definitiva da responsabilidade de cada envolvido ainda depende do avanço da investigação.
Outro ponto importante da decisão é a explicação para o momento da prisão.
O crime aconteceu em 12 de agosto. As novas imagens, porém, só foram analisadas em 19 de agosto. Foi essa produção de elementos novos que, segundo o Judiciário, conferiu contemporaneidade ao pedido de prisão.
A decisão destaca que a polícia apresentou a representação logo após a obtenção desses elementos.
Na avaliação judicial, não se tratava simplesmente de prender os investigados dias depois do crime por causa da gravidade do homicídio. Havia, segundo o magistrado, um fato novo: as imagens tinham alterado substancialmente o quadro investigativo.
Foi a partir delas que a participação de Davi ganhou maior dimensão e que Jorge passou a ser individualizado como possível participante.
Violência terminou no hospital
Claudio foi agredido na madrugada de 12 de agosto, nas imediações das ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, em Copacabana.
Segundo os autos, ele sofreu socos, chutes e golpes de instrumento contundente.
Depois de ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, onde morreu.
O laudo necroscópico apontou hemorragia interna, traumatismo cranioencefálico e lesões no baço e no rim esquerdo. As lesões foram atribuídas à ação contundente.