A Polícia Militar do Rio de Janeiro expulsou, somente agora, mais de quatro anos depois do crime, o 3º sargento Roquelaine Peres Campelo, condenado a 23 anos, seis meses e 20 dias de prisão por participar do sequestro, espancamento, roubo e extorsão de uma mulher.
Os crimes ocorreram entre os dias 17 e 18 de fevereiro de 2022, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.
De acordo com a condenação criminal e com o processo disciplinar, o policial agiu com outros criminosos para atrair a vítima até um bar em Olinda, em Nilópolis. No local, ela foi agredida e obrigada a entrar no veículo utilizado pelo grupo.
Na sequência, os criminosos foram até a residência da mulher e roubaram diversos bens, entre eles celular, televisão, ventiladores e tênis.
A vítima foi então levada para o Recreio dos Bandeirantes, onde permaneceu privada de sua liberdade por mais de 12 horas. Segundo as decisões judiciais, o grupo exigia que ela pagasse R$ 30 mil.
A mulher foi brutalmente agredida com golpes de taco de beisebol e coronhadas no rosto e na cabeça. Ela sofreu múltiplas fraturas no braço, lesões nas costelas e perdeu parcialmente a visão de um dos olhos.
Após ser mantida em um cativeiro improvisado, a vítima conseguiu escapar na manhã seguinte.
Sargento foi condenado a 23 anos de prisão
Em agosto de 2024, a 1ª Vara Criminal de Nilópolis condenou Roquelaine pelos crimes de roubo majorado, extorsão e cárcere privado. A pena foi fixada em 23 anos, seis meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, além de 60 dias-multa.
A Justiça também determinou a perda do cargo de policial militar, considerando que a prática de crimes violentos era completamente incompatível com o exercício da função.
A defesa recorreu, mas a condenação foi mantida integralmente pela 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agosto de 2025. A perda da função pública também foi mantida.
Mesmo assim, a exclusão administrativa dos quadros da PM só foi publicada em julho de 2026, mais de quatro anos após a prática dos crimes e quase dois anos depois da condenação em primeira instância.
Negou participação
Durante o Conselho de Disciplina, o sargento negou as acusações. Ele afirmou que apenas havia dado uma carona a uma das envolvidas e sustentou que a vítima teria entrado voluntariamente no veículo.
Também negou ter participado das agressões, do roubo, da extorsão e do uso de arma de fogo.
A versão, no entanto, foi rejeitada pelo Conselho de Disciplina. O processo destacou que a condenação criminal foi baseada em depoimentos, reconhecimentos, laudos periciais e imagens de câmeras de segurança.
Segundo a decisão administrativa, as provas demonstraram que o policial teve participação direta na ação e que era responsável por comandar a atuação dos demais envolvidos.
O Conselho concluiu que o comportamento do sargento era incompatível com a permanência na corporação.
Comandante-geral da PM decidiu, então, excluir Roquelaine Peres Campelo “a bem da disciplina” dos quadros da Polícia Militar.
O policial já havia sido condenado criminalmente e perdido o cargo por decisão judicial. A expulsão administrativa, porém, só foi formalizada mais de quatro anos depois do violento crime.