Um processo sigiloso que tramita na Justiça do Rio aponta que um assessor da Câmara Municipal do Rio de Janeiro teria atuado para proteger um miliciano ferido em confronto armado com policiais civis, em um episódio que teria envolvido a tentativa de ocultação de atendimento médico em uma unidade de saúde da Zona Oeste carioca.
Segundo a denúncia, o caso ocorreu na madrugada de 15 de maio de 2024, na UPA Césarão, em Santa Cruz. O homem atendido na unidade seria integrante de uma milícia armada e teria participado de uma tentativa de homicídio contra policiais civis durante um confronto armado ocorrido dias antes, na mesma região.
Suspeita de ocultação de atendimento e fraude em registro médico
De acordo com o Ministério Público, funcionários da unidade de saúde teriam omitido dados de identificação do paciente no Boletim de Atendimento Médico, de forma deliberada, para impedir sua correta identificação pelos órgãos de segurança pública.
A acusação aponta que o assessor parlamentar teria utilizado sua influência política para intermediar o atendimento e garantir que o paciente fosse atendido sem o registro completo de identificação, o que, segundo o MP, teria dificultado a atuação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), responsável por investigar o caso.
Miliciano teria participado de ataque contra policiais
O homem atendido na UPA é descrito na investigação como integrante de uma milícia que atua na região de Santa Cruz e suspeito de envolvimento direto em uma tentativa de homicídio contra policiais civis durante confronto armado.
Para o Ministério Público, a suposta omissão de dados no atendimento médico teria tido como objetivo impedir que o investigado fosse imediatamente localizado e identificado pelas forças de segurança, interferindo em uma linha de investigação em andamento.
MP aponta uso de influência política
A denúncia sustenta que o assessor parlamentar teria atuado como intermediário utilizando sua posição institucional para facilitar a supressão de informações no registro hospitalar, o que teria resultado em atendimento sem identificação formal do paciente.
Segundo o Ministério Público, a conduta indicaria possível uso de influência política para beneficiar indivíduo investigado por crime grave, em contexto de confronto armado entre agentes do Estado e grupos paramilitares.
Acusações e andamento do processo
O Ministério Público enquadrou os fatos, em tese, como falsidade ideológica e favorecimento pessoal, apontando que a conduta teria dificultado a atuação policial em investigação envolvendo organização paramilitar armada.
A denúncia foi apresentada à Justiça, que agora vai decidir se recebe a ação penal e se o assessor se torna réu no processo.
O caso segue sob sigilo parcial e em fase inicial de análise judicial.