Um policial militar aposentado está processando o Estado do Rio de Janeiro após perder um apartamento localizado no Conjunto IPASE, em Vila Kosmos, na Zona Norte da capital. Na ação, ele relata que traficantes ligados ao Comando Vermelho tomaram o imóvel após uma operação criminosa que envolveu ameaças de morte, homens armados com fuzis e a participação de uma liderança da Vila Cruzeiro.
Segundo o processo, o apartamento havia sido herdado dos pais do policial e era utilizado por ele quando estava no Rio de Janeiro. Como atualmente passava boa parte do tempo na Região dos Lagos, as chaves do imóvel estavam sob os cuidados de um amigo de confiança.
Foi justamente esse homem que acabou sendo alvo dos criminosos.
De acordo com o relato apresentado à Justiça, no dia 11 de março de 2024, por volta das 15h, traficantes conhecidos pelos apelidos de Rogerinho, Bidu e Chapadinho, acompanhados de outros integrantes da facção, cercaram o amigo do policial na entrada do Conjunto IPASE.
Armados, os criminosos exigiram a entrega imediata das chaves do apartamento. Sem qualquer possibilidade de resistência e sob a mira de armas de fogo, o homem foi obrigado a obedecer.
Mas a ação não parou por aí.
Ainda segundo a ação judicial, os traficantes decidiram acionar uma liderança da facção para comparecer pessoalmente ao local. Rogerinho, Bidu e Chapadinho fizeram uma ligação para o criminoso conhecido como “Zero Um” da Vila Cruzeiro.
Pouco tempo depois, o traficante chegou ao Conjunto IPASE pilotando uma motocicleta. Conforme o relato constante no processo, ele estava acompanhado de diversos homens que chegaram em outras motos, todos fortemente armados com fuzis e pistolas.
O amigo do policial foi novamente cercado e submetido a um interrogatório pelos criminosos.
Os traficantes queriam saber qual era sua relação com o proprietário do imóvel. Ao descobrirem que ele era amigo de um policial militar, passaram a ameaçá-lo de morte.
Sem qualquer chance de reação diante da superioridade numérica e do armamento exibido pelo grupo, o homem permaneceu em silêncio enquanto era intimidado pelos criminosos.
Foi então que recebeu a informação que mudaria completamente a situação do imóvel.
Segundo o relato anexado ao processo, os traficantes informaram que, a partir daquele momento, o apartamento não pertencia mais ao policial militar e passava a ser controlado pela facção criminosa.
O amigo da vítima deixou o local sob ameaça e, por medo de represálias, demorou semanas para comunicar o ocorrido ao proprietário.
Quando finalmente conseguiu contato com o policial, relatou que o apartamento já havia sido invadido pelos criminosos.
Segundo a ação, após assumirem o controle do imóvel, os traficantes retiraram móveis, eletrodomésticos, documentos pessoais e documentos relacionados à propriedade. Entre os itens que teriam desaparecido estavam documentos considerados importantes para comprovar a aquisição do imóvel e a compra da parte pertencente ao irmão do policial.
O processo afirma ainda que o Conjunto IPASE passou a sofrer forte influência de traficantes oriundos do Complexo da Penha, que teriam expulsado moradores, comerciantes e até agentes de segurança pública da região.
O policial afirma que registrou ocorrência e buscou ajuda das autoridades, mas que nunca conseguiu recuperar o apartamento. Desde então, diz viver afastado do imóvel por receio de ser reconhecido pelos criminosos e sofrer represálias.
Por causa da perda do imóvel e dos bens que estavam em seu interior, o militar aposentado ingressou com uma ação indenizatória contra o Estado do Rio de Janeiro, pedindo reparação por danos materiais e morais. Ele sustenta que, mesmo após comunicar a invasão do apartamento por traficantes armados, não obteve uma solução capaz de garantir a retomada da propriedade.