A matéria publicada por nosso site durante a madrugada — revelando que uma ex-namorada de Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, acusado de matar a modelo baiana Ana Luiza Mateus na Barra da Tijuca, denunciou ter sido espancada e estuprada por ele — não apenas repercutiu, como rapidamente ganhou dimensão nacional. Horas depois, o conteúdo foi replicado pelo site do jornal Extra, ampliando o alcance de um caso marcado por extrema violência e detalhes perturbadores.
No Mato Grosso do Sul, onde parte dessa história começou, a repercussão foi imediata. A vítima decidiu falar ao portal Campo Grande News e trouxe novos detalhes que aprofundam a gravidade das denúncias. Abalada, ela afirmou que não quer ter seu nome vinculado ao de Endreo e teme os efeitos da exposição. O receio tem motivo: ela ainda mantém uma medida protetiva contra o pai do acusado, o pecuarista Éder Lincoln Gonçalves da Cunha, que, segundo relatou, a ameaçou após a denúncia contra o filho.
Em meio à sequência de revelações, a jovem admitiu sentir alívio ao saber que Endreo foi encontrado morto na carceragem da Delegacia de Homicídios da Capital, no Rio de Janeiro — um desfecho que encerra uma sequência de episódios violentos.
Segundo o Campo Grande News, o relacionamento teve início no fim de 2024, em Campo Grande, na empresa de locação da família dele. O que parecia um namoro comum rapidamente deu lugar a um comportamento de controle. Desde o início, Endreo demonstrava ciúmes excessivos, tentando controlar redes sociais, amizades e até o contato da vítima com a própria família.
A escalada foi rápida. Ainda em dezembro, ocorreu a primeira agressão. O motivo, segundo a jovem, foram mensagens trocadas entre ela e a mãe de Endreo, nas quais pedia ajuda para lidar com o comportamento do namorado.
Após o espancamento, a situação se agravou. A vítima relata que foi levada para São Paulo, onde permaneceu por 15 dias em cárcere privado, sem acesso ao celular, até que os hematomas desaparecessem — uma tentativa de ocultar as marcas da agressão.
Mesmo depois, os episódios continuaram. Ainda em São Paulo, houve uma nova tentativa de agressão. Dessa vez, segundo ela, Endreo ameaçou se jogar do 14º andar do apartamento. O episódio marcou o fim do relacionamento, mas não encerrou o problema.
De volta a Campo Grande, a jovem passou a ser perseguida. “Ele me perseguia no trabalho, nas redes sociais, mandava mensagens para os meus clientes, para as mulheres dos meus clientes, dizendo que eu tinha um caso com eles. Ele sabia o horário em que eu chegava e que eu saía de casa. Em 26 de outubro, ele me sequestrou”, relatou.
O episódio mais grave, segundo a vítima, ocorreu justamente nessa data. Ela afirma que ficou em cárcere por cerca de 24 horas. Durante esse período, foi agredida, estuprada e enforcada com um cinto. Sofreu traumatismo em dois pontos do rosto e diversas escoriações. Sobreviveu, segundo conta, porque conseguiu manter o controle emocional.
“Conversei muito com ele, falei que tudo que estava acontecendo era culpa minha, que ele ia cuidar de mim como cuidou da primeira vez. Ele me acusava de ter outros homens. Ele gravou um vídeo fazendo com que eu, toda ensanguentada, assumisse todos os relacionamentos que, na cabeça dele, existiam. Gravou por mais de meia hora me fazendo perguntas e, toda vez que eu dizia não, ele me batia mais e eu tinha que assumir tudo que ele falava. Fiquei horas negociando com ele, até que consegui fazer com que ele me deixasse na UPA. Estou aqui hoje pela graça de Deus”, disse a consultora de licitações.
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em outubro de 2025. Endreo chegou a ser preso, mas acabou sendo liberado. Em 2026, se mudou para o Rio de Janeiro, onde conheceu Ana Luiza Mateus, posteriormente assassinada na Barra da Tijuca.
Nem após a denúncia a vítima teve tranquilidade. Em novembro de 2025, ela relatou à polícia ter recebido uma ligação do pai de Endreo. Segundo a denúncia, o pecuarista a ameaçou de morte, afirmando que a “cortaria em pedaços” caso o filho se matasse por causa do relacionamento.
O relato foi formalizado, e no dia 4 daquele mês a polícia solicitou medidas como busca e apreensão de arma de fogo e munições, além de buscas em endereços ligados ao investigado.
Ao Campo Grande News, a vítima confirmou que conseguiu uma medida protetiva contra o pecuarista — proteção que segue em vigor.
A sequência dos fatos — com registros de agressões, cárcere privado, estupro, perseguição e ameaças — expõe um histórico consistente e anterior ao assassinato de Ana Luiza, ampliando o peso do caso e levantando questionamentos sobre tudo o que aconteceu até o desfecho.