O despacho do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a prisão de policiais civis, militares e federais por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho diz o seguinte sobre a participação de cada um, de acordo com as investigações da Polícia Federal
Núcleo de policiais civis envolvidos com o Comando Vermeho
Franklin José de Oliveira Alves – Atuou diretamente na linha de frente da negociação ilícita. Mantinha contatos telefônicos frequentes com os intermediários para cobrar o pagamento da propina e impor prazos. Também assinou intimações de coação e possui estrutura empresarial familiar com movimentações financeiras suspeitas.
Marcus Henrique de Oliveira Alves (delegado) Na qualidade de titular da 44a DP, assinou, juntamente com seu irmão, intimações utilizadas para pressionar o traficante “Índio do Lixão” no esquema de extorsão. Apresenta movimentação financeira vultosa e incompatível com seus vencimentos, utilizando empresas em nome defamiliares para ocultar bens e valores.
Leandro Moutinho de Deus Atuou como intermediário nas negociações de pagamentode propina entre os traficantes e os policiais da 44a DP.
Segundo o despacho de Moraes, os policiais civis exigiram de Índio , mediante violência e grave ameaça, o valor correspondente R$ 1.500.000,00 para encerrar um procedimento investigativo em tramitação na 44a Delegacia Policial envolvendo o traficante,
A investigação revelou que Carracena iria intermediar e pedir para encerrar o inquérito contra Índio.
II. Núcleo de atuação para favorecer os interesses do traficante internacional Gerel Lusiano Palm (neerlandês)
Alessandro Pitombeira Carracena
Advogado e ex-secretário de estado, atuou como o articulador central entre criminosos e servidores públicos. Ele utilizou sua influência política para intermediar vantagensindevidas e, segundo diálogos, teria retido R$ 120.000,00 de um pagamento feito em espécie para influenciar um pedido de refúgio.
Fabrizio José Romano (delegado da PF) ´ Atuou de forma incompatível com seu cargo, oferecendo influência interna na Polícia Federal em favor do traficante Gerel Lusiano Palm. Em consequência disso, solicitou adiantamentos” financeiros e negociou a nomeaçãode sua esposa, para um cargo comissionado como contrapartida por sua atuação ilícita.
Patrícia Carvalho Falcão – Advogada parceira de Carracena. Embora atuasse nadefesa técnica, as mensagens revelaram sua ciência e participação na viabilização de pagamentos indevidos a servidores e na pressão pela devolução de valores após o fracasso do pleito.
A esposa de Gerel mandou áudio para Patrícia cobrando o dinheiro dado por eles, que segundo a advogada, havia sido a importância de R$150.000,00(cento e cinquenta mil reais) em espécie”:
Patrícia disse que o delegado Fabrizio e o policial federal Luciano teriam recebido, dos R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) pagos em espécie pela esposa de Gerel , a quantia de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) cada um, para auxiliarem no pedido de refúgio Gerel. Segundo ela, ambos ainda receberiam, em caso de êxito do processo, o valor adicional de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) cada.
Núcleo de atuação criminosa de Policiais Militares do Estado do Rio de Janeiro ao realizarem segurança e logística de liderança do Comando Vermelho
As investigações revelaram que “o traficante Índio do Lixão” contava com esse núcleo, estável e coordenado, de policiais militares que atuavam na segurança particular e braço logístico, sendo tais policiais liderados pelo policial militar Rodrigo da Costa Oliveira, conhecido como Costa,
Flavio Cosme Menezes Pereira, alcunha “Menezes – ” Prestava segurança de forma reiterada e consciente, incluindo durante as férias, colocando-se à disposição paraqualquer missão da organização criminosa.
Franklin Ormond de Andrade, alcunha “Ormond – Além de realizar escoltas constantes, negociou ilicitamente a venda de uma pistola Taurus e carregadores para Indio;
Enio Claudio Amâncio Duarte – Participava de escoltas armadas em eventos específicos,como enterros e consultas médicas do traficante, operando em áreas conflagradas sob domínio do Comando Vermelho.
Alex Pereira do Nascimento – Mantinha contato direto com o “Índio”, a quem recorreupara solicitar um empréstimo pessoal de R$ 1.500,00, evidenciando a promiscuidade da relação entre o agente da lei e o criminoso.
Leonardo Cavalcanti Marques Atuava na segurança com plena consciência da condiçãode “bandido” de “Índio”.
Ricardo Pereira da Silva = Policial militar de extrema confiança de “Índio”, solicitado nominalmente pelo traficante para missões de escolta em Duque de Caxias.
Rodrigo de Oliveira Carvalho, alcunha “Carvalho – Atuava na segurança diária de “Índio”. É o principal alvo no que tange à comercialização ilegal de armamento, tendo oferecido a “Índo” 2 (dois) fuzis calibre 5.56. Além disso, realizou o transporte de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) em espécie a mando da organização criminosa.
Segundo a investigação, os PMs ainda realizavam-
- Acompanhamento em atividades rotineiras: Foram registradas escoltas para consultas médicas de “Índio” e para a realização de enterros.
- Gestão de escalas: O policial militar “Costa”coordenava um núcleo estável de agentes,
gerenciando escalas de serviço e revezamentos para garantir a proteção contínua do criminoso. - Segurança para convidados: A pedido de “Índio”, os policiais também prestaram serviço de segurança para o influencer Hytalo Santos durante sua visita ao Rio de Janeiro.
- Intermediação de fuzis: O policial “Carvalho utilizou sua posição para oferecer a Índio dois fuzis calibre 5.56 pelo valor de **R 10.000,00 para os policiais envolvidos.
= Venda de pistolas e acessórios: O agente “Ormond negociou a venda ilícita de uma pistola Taurus e carregadores de calibre .45 para o traficante.
= Movimentação de dinheiro em espécie: Policiais eram responsáveis pelo transporte de elevados valores da organização; em um dos episódios, “Carvalho ” transportou cerca de R$ 150.000,00 em um veículo HRV prata.
Coleta de entorpecentes: O policial “Costa”auxiliava diretamente na coleta de valores e drogas na comunidade da Serrinha a mando de “Índido”
= Vazamento de informações: A investigação aponta que o grupo de servidores públicos colaborava com o vazamento de operações policiais de interesse da facção.
Em resumo, a atuação desses policiais funcionava como uma rede de apoio integral, de modo que a função pública era .comercializada para assegurar a proteção física de traficantes o êxito das operações logísticas da organização criminosa.
Sob esse aspecto, é possível afirmar que esses policiais agiam como uma “empresa de terceirização de riscos” para o Comando Vermelho, uma vez que não apenas monitoravam a entrada, mas também realizavam o transporte do cofre e disponibilizavam um arsenal de ferramentas para a prática delituosa.”