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Investigações do MP apontaram elo entre contraventor Adilsinho e agentes públicos; policial militar foi preso hoje suspeito de fazer segurança do bicheiro

A prisão de um policial militar suspeito de atuar na segurança do contraventor Adilsinho, realizada nesta quinta-feira em Cabo Frio, reforça as suspeitas de que o grupo criminoso contava com a colaboração de agentes públicos para manter suas atividades ilícitas.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal, delegado Fábio Galvão, esta foi a terceira tentativa de capturar o bicheiro. Segundo ele, nas investidas anteriores, o investigado teria conseguido escapar com auxílio, inclusive, de policiais.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apontam que a organização criminosa mantinha uma rede estruturada de cooptação de agentes públicos, especialmente nas forças de segurança.

Em denúncia apresentada pelo MPF e divulgada anteriormente por nossa reportagem, foram citados os apelidos de 12 policiais militares e dois bombeiros que estariam vinculados a uma empresa responsável pela escolta armada de cargas de cigarros distribuídas em diversos pontos do estado. Entre os codinomes mencionados nas investigações estão “Velho do Rio”, “Marreco”, “Morenão Topa Tudo”, “Coquinho da VK”, “Alvinho”, “Jajá”, “Shampoo”, “Max”, “Bonfim”, “Maromba”, “Stive” e “Baiano” — este último identificado como bombeiro.

Segundo os autos, a organização teria estabelecido relações ilícitas com agentes do poder público responsáveis pela segurança, o que teria sido fundamental para a expansão e manutenção das atividades criminosas. O esquema, conforme descrito nas apurações, envolvia o pagamento sistemático de propina para garantir a omissão deliberada diante das infrações penais praticadas.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram diálogos que indicariam a existência de uma espécie de “tabela” de pagamentos. Em uma das conversas, um integrante do grupo orienta o repasse de R$ 15 mil, sendo R$ 12 mil destinados ao “batalhão” — em referência à Polícia Militar — e R$ 3 mil à “DP”, indicando Delegacia de Polícia.

Em outro trecho interceptado, um investigado menciona expressamente valores de “doze mil para o carro azul” — supostamente em alusão às viaturas da PMERJ — e “três mil para o carro preto”, possível referência à Polícia Civil.

As investigações também apontam que um homem conhecido como “Cabeça” atuava como intermediador entre a organização e agentes públicos corrompidos. Ele seria o responsável por operacionalizar a entrega de valores e articular a liberação de mercadorias apreendidas.

Relatórios indicam que, quando cargas de cigarros eram apreendidas por policiais civis da 59ª ou da 62ª Delegacia de Polícia, ambas situadas em Duque de Caxias, “Cabeça” era acionado para intermediar contatos que resultavam na devolução informal das mercadorias. Segundo o Ministério Público, há indícios de que as restituições ocorriam sem qualquer formalização oficial.

Um colaborador premiado relatou ao MP que, em pelo menos duas ocasiões, conseguiu reaver cargas apreendidas após contato com policiais lotados na 62ª DP, mediante pagamento indevido. Em uma das situações, o repasse foi descrito como “cerveja”, termo que, segundo os investigadores, seria usado para se referir a propina.

As apurações também registram episódios em que integrantes da organização foram abordados enquanto descarregavam cigarros ao lado de milicianos, estando armados e portando grandes quantias em dinheiro. Apesar disso, não houve registros formais de prisão ou apreensão, o que, segundo o MP, indica possível acerto informal para evitar a responsabilização.

O pagamento de valores ilícitos, de acordo com os investigadores, garantia ainda tratamento privilegiado em abordagens policiais, impedindo autuações em flagrante e apreensões de mercadorias.

Em uma das conversas interceptadas, atribuída a uma policial militar, há orientação para que os operadores do esquema evitassem entregar documentos durante abordagens ostensivas antes de “desenrolar” a situação. A fala menciona que equipes do programa Caxias Presente utilizariam sistemas integrados de consulta de dados, o que poderia gerar registros formaais e dificultar eventuais acertos posteriores.

Para o Ministério Público, o conjunto probatório indica que a engrenagem criminosa se sustentava não apenas na logística de distribuição de cigarros, mas também na cooptação sistemática de agentes públicos, garantindo proteção institucional indevida às atividades ilícitas.

As investigações seguem em andamento.

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