Para o STF, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, era sabedor das notórias interações de TH Joias com o Comando Vermelho, visto que o parlamentar foi preso e permaneceu encarcerado por 10 meses entre 2017 e2018, tendo sido posteriormente condenado a quase quinze
anos de reclusão pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por tráfico de drogas.
Por isso, Bacellar tomou ciência prévia da ação policial, conversou com o principal alvo de tal ação e ainda o orientou sobre a retirada de objetos de interesse da persecução da residência. Para o órgão, são fortes indícios da participação do presidente da ALERJ em organização criminosa.
O possível objetivo subjacente da ação obstrutiva é a manutenção do vínculo desses agentes políticos com o Comando Vermelho, facção responsável pelo maior controle territorial do Estado do Rio de Janeiro, o que se traduz em milhões de votos no pleito eleitoral que se
avizinha, do qual Bacellar foi especulado como futuro candidato ao governo.
Todos esses elementos descortinam a existência de um verdadeiro estado paralelo, capitaneado pelos capos da
política fluminense que nos bastidores vazam informações que inviabilizam o sucesso de operações policiais relevantes contra
facções criminosas violentas, a exemplo do Comando Vermelho.
Bacellar tinha influência não só na ALERJ mas também no Poder Executivo estadual onde gere a nomeação de cargos diversos na Administração Pública, inclusive em setores sensíveis à atuação de organizações criminosas, como a Polícia Militar e a Polícia Civil, de modo a potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida na atividade investigativa.