Dois PMs poderão ser expulsos da corporação suspeitos de escoltarem um veículo roubado por traficantes da comunidade do Quitungo, em Brás de Pina, até aos verdadeiros donos. O fato ocorreu em janeiro.
Na ocasião, só foi possível a recuperação do veículo após negociação, de um funcionário da empresa, com um intermediário, tendo o veículo sido liberado, após o pagamento de R$ 26.000,00.
O veículo roubado foi recuperado horas após o roubo e, quando foi entregue, teria sido escoltado por uma viatura da PMERJ.
Um dos PMs, por meio de seu aparelho de telefo-
nia celular, teria conduzido uma tratativa de natureza indevida acerca da entrega do referido veículo.
Às 15h17min01seg o CB PM MONDAINI: “fala padrinho, ainda estou aqui, vou demorar um tempinho”;
- ÀS 15h17min32seg: “padrinho, evoluiu aqui, parece que vai passar do horário um pouqui-
nho… saindo do batalhão agora, indo para rua Japoré, te encontro onde então? Qual rua vai sair pela Japoré? Carbonita, ta ok? Chegando lá aviso, valeu? - Às 15h36min01seg: Qual é? Estou aqui na Guaporé, valeu? Qual a situação? O dono vailá buscar, é isso?
- Às 15h36min56seg, os PMs conversam que o veículo vai entrar na empresa, em seguida a viatura dá uma meia parada.
- Às 15h38min16seg, o PM diz: “fala, está entregue na empresa padrinho”.
- Às 15h41min17seg, o PM negocia o pix e diz que pode fazer o pix para ele mesmo.
- Nos autos, há mídia contendo imagens extraídas do sistema de monitoramento da empresa nas quais foi possível observar, por volta das 15h37min28seg, a van anteriormente subtraída adentrando o pátio da referida empresa, sendo escoltada por uma viatura Renault/Duster, de prefixo n.o 54-0713.
Ressalte-se que, praticamente de forma simultânea, um dos PMs comunicou-se via telefone, proferindo a seguinte frase: “fala, está entregue na empresa, pa- drinho”.
A citada viatura era aquela empregada pelos investigados no desempenho de suas funções no Setor F”, do 16o BPM.
Cumpre salientar que os investigados envidaram esforços, a todo momento, para manter o episódio em absoluta clandestinidade, confiando, em aparente temeridade, que as autoridades jamais tomariam ciência dos fatos gravíssimos narrados.
Um dos PMs manteve câmera operacional portátil (COP) constantemente direcionada para baixo, limitan- do intencionalmente a captação das imagens. Todavia, apesar dessa manobra, os registros acabaram por cap-tar diálogos que evidenciam acordos de natureza escusa.
Os PMs deveriam reportar o caso à delegacia mas não fizeram.