Dois policiais militares são apontados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) como integrantes de uma estrutura ligada ao Comando Vermelho responsável pelo transporte de toneladas de drogas de São Paulo para o Rio. Segundo a denúncia, os PMs Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista davam apoio armado à organização, além de participar da distribuição de drogas e do recolhimento de dinheiro.
Ao todo, o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ) denunciou e obteve a prisão preventiva de 15 integrantes do grupo criminoso. As ordens são cumpridas nesta terça-feira (22/09), durante a Operação Ícaro, pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), Polícia Civil do Rio, Polícias Civis de São Paulo e Alagoas, com apoio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e da Polícia Militar do Rio.
De acordo com as investigações, a quadrilha utilizava empresas de transporte e logística como fachada para enviar cargas de cocaína e maconha de São Paulo para o Rio em meio a mercadorias regulares. A estrutura também teria sido utilizada para lavar o dinheiro obtido com o tráfico.
A análise de dezenas de comunicações sobre operações financeiras consideradas atípicas envolvendo denunciados e estabelecimentos comerciais identificou movimentações superiores a R$ 70 milhões. Segundo o MPRJ, empresas registradas em nome de laranjas eram utilizadas para ocultar e lavar os recursos provenientes da atividade criminosa.
A investigação começou a partir de apurações sobre Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o “My Thor”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho. Mesmo preso, ele continuaria, segundo as investigações, exercendo influência sobre o tráfico em comunidades do Rio.
Registros da contabilidade do tráfico analisados pelos investigadores indicaram pagamentos elevados feitos por My Thor a Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o “Boss”, dando origem à investigação que revelou a estrutura de transporte e distribuição de drogas.
Segundo o GAESF/MPRJ, Boss, preso na segunda-feira (21/09), comandava a estrutura de fornecimento de drogas. Os PMs Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista, além do apoio armado, seriam responsáveis pela distribuição dos entorpecentes e pelo recolhimento dos valores.
A logística do esquema ficava, ainda segundo a denúncia, a cargo de Petterson Suzuki Marques Trindade, o “Pet”; Rafael de Menezes Faustino, o “Alemão”; Renato Ivo de Oliveira; e Felipe Santos de Oliveira. Eles seriam responsáveis pelo transporte, pela logística e pela cobrança.
A rota entre São Paulo e Rio era considerada estratégica para o abastecimento de facções criminosas fluminenses. As investigações apontam que toneladas de cocaína e maconha foram transportadas pelo grupo. Duas grandes apreensões são citadas na denúncia: 715 quilos de cocaína e maconha, em Guarulhos, em fevereiro de 2024, e 73 quilos de cocaína, em Seropédica, em maio daquele ano.
No Rio, segundo a investigação, recebiam as drogas de forma recorrente para posterior redistribuição Pedro Henrique Mesquita da Silva, o “Tiquinho”; Thiago Claudio Duarte Chagas, o “Cabeça”; Matheus Eduardo Tentempo Lima, o “Dourado”; Anderson Santanna da Silva, o “Gão”; Anderson Adriano de Oliveira, o “Dnort”; e Bruno de Lemo Garcia, o “Bruninho”.
Alsuece Alves de Assis, o “Sussu”, e Simone Alexandrino são apontados como laranjas utilizados na estrutura financeira do grupo.
Além da condenação pelos crimes de associação para o tráfico e lavagem de capitais, o GAESF/MPRJ pediu o confisco dos bens e a perda alargada do patrimônio dos denunciados.