Um condomínio residencial de Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, aparece no centro de uma investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE) que envolve o grupo apontado como liderado pelo miliciano Gilson Ingrácio de Souza Júnior, o Juninho Varão.
Entre os elementos apresentados à Justiça estão relatos de sequestros, torturas, execuções e ocultação de cadáveres, além de uma possível passagem utilizada para escapar de operações policiais dentro do próprio condomínio.
Segundo uma testemunha citada na investigação, esse seria o modus operandi do grupo, que sequestraria vítimas, as torturaria, executaria e posteriormente esconderia os corpos.
Homicídio de Vitor Hugo
Um dos casos relacionados à investigação é o homicídio e a ocultação do cadáver de Vitor Hugo Pereira Tomaz.
O procedimento que apura o crime aponta Felipe Alves da Silva, o Felipinho, como investigado. Ele teria sido reconhecido fotograficamente como uma das lideranças da milícia que atua na região do KM 37/Cabuçu, mantendo estreita articulação com Juninho Varão.
Felipe também responde a investigações por extorsão, milícia privada, homicídio e ocultação de cadáver.
Passagem secreta ligada à UPA
Um dos detalhes mais chamativos do documento é a descrição de uma possível rota de fuga.
A mesma testemunha afirmou que Felipe consegue escapar de operações policiais realizadas no condomínio utilizando um acesso interligado à UPA Patrícia Marinho.
A informação ajuda a explicar, segundo a investigação, como um integrante do grupo conseguiria deixar o local durante ações policiais.
Armas escondidas no condomínio
A investigação ganhou caráter de urgência após uma denúncia recebida pela DRACO-IE em 24 de março de 2026, informando que Felipinho estaria naquele momento escondendo armas e munições em unidades do Condomínio Jardim Guandu.
A denúncia mencionava ainda o envolvimento do investigado na chamada “guerra do Chaperó”, conflito territorial armado registrado desde 18 de março.
Dias antes, em 10 de março, uma diligência policial no próprio condomínio havia localizado seis veículos com registros de roubo ou furto, um case de fuzil, um cinto tático com coldre e um rádio transmissor.
Juninho Varão é apontado como líder
O documento identifica Juninho Varão como líder da organização e afirma que ele possui cinco mandados de prisão preventiva ativos, expedidos por homicídio qualificado, organização criminosa, extorsão e lavagem de dinheiro. Ele é apontado como foragido.
A investigação sustenta que Juninho, Felipinho e outros integrantes fazem parte do mesmo grupo que utilizaria o condomínio como base operacional.
O procedimento também apura crimes de extorsão, esbulho possessório, constituição de milícia privada e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito relacionados à região.
A Justiça autorizou as buscas nos imóveis ligados aos investigados e o acesso aos dados telemáticos dos equipamentos que eventualmente fossem apreendidos.
As informações sobre sequestros, torturas, execuções, ocultação de cadáveres e a rota de fuga são elementos apresentados pela investigação e constam da decisão judicial no âmbito de um procedimento ainda em andamento, não representando condenação definitiva dos investigados.
A polícia diz que a milícia se fragmentou em várias depois da prisão do miliciano Zinho, o que permitiu que o grupo de Juninho Varão, investisse em locais que eram anteriormente de domínio do Zinho. Até hoje ainda existe um contexto de disputa entre milícias tanto na região do km 32 e adjacências.