Fabrício Mateus da Silva, preso pela morte do estudante Luiz Guilherme Assis de Vasconcelos, de 16 anos, já havia sido acusado de participar de uma sequência de assaltos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em 20 de março de 2020, segundo os autos de um processo criminal, ele e outro acusado teriam abordado quatro vítimas em diferentes pontos da região da Rodoviária e da estação ferroviária do município, utilizando um simulacro de arma de fogo.
A sequência criminosa, de acordo com a denúncia e os depoimentos reunidos no processo, ocorreu em aproximadamente 20 minutos. As abordagens começaram por volta das 20h20, nas escadas da passarela da Rua Coronel Bernardino de Melo, em frente à Rodoviária de Nova Iguaçu, e prosseguiram pela mesma região.
Na primeira ocorrência, Fabrício teria abordado M.O.P empunhando o que aparentava ser uma arma de fogo e anunciado o assalto. Segundo o relato apresentado no processo, ele teria ordenado: “Perdeu! Perdeu! Me passa o celular e a carteira!”
A vítima entregou um celular Samsung Galaxy 4 e R$ 80. Ainda segundo a acusação, o comparsa Ranieli dava cobertura à ação.
Depois do primeiro roubo, a dupla teria seguido pela mesma via e, cerca de dez minutos depois, abordado outra pessoa.
Quatro vítimas em cerca de 20 minutos
Por volta das 20h30, no ponto de ônibus próximo à Passarela Caracol, ainda na Rua Coronel Bernardino de Melo, l.M.M.S teria sido abordado pelos dois homens.
De acordo com o depoimento prestado posteriormente, o local estava escuro. Fabrício, apontado como o homem que portava o simulacro, teria exigido o telefone e o dinheiro da vítima.
L entregou um Motorola Moto G7 Play e R$ 2.
O relato da vítima registra que, logo depois do assalto, ele avistou uma viatura policial e comunicou aos agentes o que havia acontecido, indicando a direção tomada pelos criminosos.
Menos de uma hora depois, segundo seu depoimento, recebeu uma ligação da delegacia informando que os suspeitos haviam sido presos e que seu telefone havia sido encontrado com eles.
A vítima descreveu o homem que teria feito a abordagem como o mais magro da dupla, que carregava uma bolsa de uma alça só. Também afirmou que o simulacro chegou a cair no chão durante o assalto.
A terceira ocorrência teria acontecido por volta das 20h40, na plataforma da estação ferroviária de Nova Iguaçu.
E..F.S aguardava o trem quando, conforme seu depoimento, foi abordado por um homem que teria apontado o simulacro e exigido seu telefone e dinheiro.
“Perdeu, perdeu, me dá o telefone”, teria dito o assaltante, segundo o relato registrado nos autos.
E entregou um Samsung A50 e dinheiro, ficando apenas com R$ 4, valor que possuía para a passagem.
Na mesma região, ainda segundo a denúncia, Fabrício teria abordado uma quarta vítima, C.G.P.C
C voltava do trabalho e caminhava em direção ao ponto de ônibus próximo à estação quando percebeu alguém se aproximar por trás. Segundo seu depoimento em juízo, um objeto foi encostado em sua cabeça e o homem anunciou: “Perdeu, perdeu, passa tudo.”
Ele entregou um Motorola Moto Z3 Play.
Prisão aconteceu logo depois dos assaltos
Os roubos acabaram interrompidos pela ação policial.
Segundo os autos, policiais militares foram informados sobre os crimes e realizaram buscas na região. Fabrício e Ranieli foram presos, e com Fabrício teriam sido encontrados o simulacro de arma de fogo e cinco celulares. Com Ranieli, foi apreendido outro aparelho.
Os telefones foram posteriormente reconhecidos pelas vítimas.
Os depoimentos também descrevem uma dinâmica semelhante nos diferentes crimes: Fabrício seria o responsável por abordar as vítimas e exibir o simulacro, enquanto Ranieli permaneceria dando cobertura.
C uma das vítimas, afirmou em juízo que conseguiu reconhecer Fabrício e que encontrou outras pessoas na delegacia que também haviam sido vítimas de roubos atribuídos à mesma dupla.
Embora M não tenha comparecido posteriormente em juízo, seu telefone também foi localizado em poder dos acusados, conforme os documentos do processo.
O caso de 2020, portanto, já registrava uma sequência de assaltos praticados em curto espaço de tempo, com vítimas abordadas sucessivamente nas proximidades da principal área de circulação de passageiros de Nova Iguaçu.
Anos depois, nova acusação de latrocínio
Agora, seis anos depois daqueles episódios, Fabrício Mateus da Silva volta a aparecer em um caso de enorme repercussão na Baixada Fluminense.
Ele foi preso em flagrante nesta quarta-feira (16), por policiais civis da 64ª DP (São João de Meriti) e policiais militares do 21º BPM, apontado como responsável pela morte do estudante Luiz Guilherme Assis de Vasconcelos, de 16 anos.
O adolescente seguia para a escola quando teria sido abordado pelo criminoso.
Segundo a Polícia Civil, o homem estava armado com uma faca e tentou roubar o celular do estudante. Durante a ação, Luiz Guilherme foi atingido por diversos golpes.
Ferido, o adolescente foi socorrido e levado para uma unidade hospitalar. Apesar do atendimento médico, não resistiu.
A investigação começou imediatamente após o crime. Policiais ouviram testemunhas, analisaram imagens de câmeras de segurança e passaram a monitorar possíveis rotas utilizadas pelo suspeito.
Fabrício acabou localizado e capturado poucas horas depois, na Avenida Sargento de Milícias, em São João de Meriti.
Ele foi autuado em flagrante.