Um criminoso conhecido pelo vulgo “Bolsonaro” — que não é o ex-presidente Jair Bolsonaro nem qualquer um de seus filhos políticos — é apontado como o responsável pela coordenação de uma quadrilha especializada no roubo de cargas de medicamentos contra o câncer no Rio de Janeiro.
Segundo a investigação da Polícia Civil, “Bolsonaro” exercia uma posição de comando dentro do grupo. Cabia a ele planejar as ações criminosas, distribuir as tarefas entre os integrantes e administrar o repasse de valores destinado ao financiamento da logística da quadrilha.
O criminoso ainda utilizava seu estabelecimento comercial, a Whiskeria Palace Ltda., na Vila do João, no Complexo da Maré, como ponto de encontro e base operacional para a articulação dos roubos, conforme apontado na investigação.
Outro integrante de destaque era o criminoso conhecido como “Chiquinho”, responsável pelo suporte logístico da organização, incluindo o fornecimento de veículos e armamentos.
Outros três integrantes participavam diretamente das abordagens armadas e do transbordo das cargas. “Nariga” era encarregado da logística de transporte e transbordo, enquanto “TN” fazia a conexão com facções criminosas armadas e fornecia suporte operacional em regiões sob domínio territorial.
A quadrilha, segundo a investigação, utilizava rotineiramente pistolas e fuzis para executar os roubos e garantir a fuga dos integrantes. A participação dos suspeitos teria sido reforçada por apreensões realizadas pela polícia e pela análise de dados extraídos dos telefones celulares dos investigados.
Roubo de medicamentos ocorreu em Ramos
Um dos crimes atribuídos ao grupo ocorreu em 17 de junho de 2026, por volta das 9h45, no bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio.
A vítima trabalhava no transporte de mercadorias para a empresa proprietária da carga e trafegava pela região quando foi interceptada pelos criminosos.
Armados, os bandidos anunciaram o assalto e restringiram a liberdade do motorista, mantendo-o sob controle durante todo o período necessário para retirar os medicamentos do veículo.
De acordo com a investigação, um dos criminosos desembarcou do veículo portando uma pistola e ordenou que o motorista abrisse o compartimento de carga. Enquanto isso, um comparsa permaneceu no veículo utilizado pela quadrilha para dar suporte à ação.
Assim que o baú foi aberto, os criminosos retiraram toda a carga de medicamentos oncológicos e a transferiram para um Volkswagen Polo.
Os bandidos também levaram as respectivas notas fiscais dos medicamentos, numa ação que, segundo a investigação, tinha como objetivo dificultar a identificação e a recuperação da carga.
Depois do transbordo, a vítima foi libertada e os criminosos fugiram levando os medicamentos.