“Um ato insano”. Foi assim que Davi Santos Machado definiu o momento em que, segundo seu próprio relato, passou a desferir golpes de porrete contra a cabeça de Cláudio Rafael Landeiro.
A investigação sobre a morte do rapaz, espancado por pelo menos quatro homens em Copacabana, ganhou novos contornos após a análise de imagens de câmeras de segurança que permitiram reconstruir a sequência dos acontecimentos — desde a disputa por uma bicicleta até os mais de seis minutos de agressões que deixaram Cláudio caído e agonizando na calçada.
Segundo os elementos reunidos pela investigação, David reconheceu que, entre as pessoas presentes durante o episódio, uma delas teria determinado e incentivado que ele golpeasse Cláudio com o porrete. O investigado afirmou ainda que, juntamente com dois entregadores do iFood, passou a agredir a vítima com socos, pontapés e, principalmente, com um bastão ou porrete, admitindo ter atingido diversas vezes a cabeça de Cláudio.
Mas as imagens analisadas pelos investigadores permitem visualizar como a violência começou.
Tudo teve início durante uma disputa pela bicicleta de Cláudio. As primeiras imagens mostram um dos envolvidos conduzindo a bicicleta da vítima, enquanto Cláudio tenta impedir que ele leve o bem. Nesse momento, o homem conta com a atuação conjunta de outro suspeito.
A situação se agrava quando, durante a disputa, um dos envolvidos entra em um estabelecimento comercial e retira de lá um cassetete. Ele retorna pouco depois e passa a desferir golpes contra Cláudio, fazendo com que a vítima fuja do local.
A sequência registrada pelas câmeras é considerada fundamental para a investigação porque mostra que os envolvidos não tiveram uma participação meramente ocasional.
Depois que Cláudio retorna, um dos suspeitos novamente se aproxima e o ameaça com o cassetete. Enquanto isso, o outro deixa o local conduzindo a bicicleta da vítima em direção a outro endereço. Cláudio percebe o deslocamento e passa a acompanhá-lo.
O suspeito que estava com Cláudio também corre na mesma direção.
A sequência das imagens, portanto, indica uma continuidade na atuação dos envolvidos. Eles aparecem juntos desde a disputa inicial pela bicicleta, participam da retirada do bem e, posteriormente, deslocam-se para outro ponto, sendo seguidos pela própria vítima.
Já no segundo endereço, as câmeras registram a chegada de Cláudio, que permanece sentado na calçada. Na sequência, dois homens aparentemente entregadores do iFood, ainda não identificados, aproximam-se e passam a conversar com ele.
Pouco depois, chega ao local o suspeito que estava armado com o cassetete.
É então que começa o trecho mais brutal registrado pelas câmeras.
A partir das 00h07min26s, os três homens passam a agredir Cláudio de forma continuada. São golpes de cassetete, socos e chutes, direcionados principalmente à região da cabeça.
A violência se prolonga até aproximadamente 00h13min35s.
São mais de seis minutos de espancamento contínuo.
Durante esse período, Cláudio não apresenta condições de reagir. As imagens mostram que as agressões continuam inclusive depois que ele cai no chão, já extremamente debilitado e sem condições concretas de defesa.
O relatório de análise das imagens aponta que os registros audiovisuais corroboram a dinâmica criminosa e evidenciam a participação dos envolvidos, além da atuação dos dois entregadores do iFood que ainda não foram identificados.
A violência não termina com a queda da vítima. Por volta das 00h13min, os autores cessam as agressões e deixam Cláudio desacordado na via pública, em estado de extrema vulnerabilidade.
Posteriormente, ele é socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto. Cláudio, porém, morre pouco tempo depois de dar entrada na unidade.
A investigação considera especialmente relevante a sequência temporal e espacial registrada pelas câmeras. Cláudio não simplesmente aparece no local onde foi espancado. Ele chega ali depois de ser envolvido em uma ocorrência iniciada pela disputa da bicicleta, sendo acompanhado pelos envolvidos até o endereço onde as agressões fatais acontecem.
Embora as imagens não registrem, no momento culminante do espancamento, todos os envolvidos desferindo golpes, a investigação aponta que a participação de cada um precisa ser analisada dentro de toda a sequência dos acontecimentos, e não apenas a partir dos minutos finais.
Um dos suspeitos aparece desde o início ao lado daquele que conduz a bicicleta, participa da dinâmica da retirada do bem e segue para o segundo endereço, acompanhado pela vítima. Depois, permanece inserido na sequência de acontecimentos que termina com Cláudio sendo brutalmente agredido.
A investigação também aponta que, após as agressões, um dos envolvidos deixa o local juntamente com o outro, reforçando, segundo a autoridade policial, o vínculo entre eles durante o desenvolvimento do episódio.
O conjunto das imagens, portanto, revela uma dinâmica muito mais ampla do que um simples confronto isolado. Cláudio é inicialmente envolvido em uma disputa pela bicicleta, os envolvidos se deslocam para outro ponto, a vítima os acompanha e, posteriormente, é cercada e submetida a uma sessão de violência que dura mais de seis minutos.
Para a família, entretanto, por trás de toda essa sequência brutal havia um jovem que era muito mais do que as circunstâncias que cercaram sua morte.
A irmã da vítima, esclareceu que Cláudio possuía diagnóstico de transtornos mentais, notadamente instabilidade emocional, personalidade dissocial e transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de álcool.
As imagens obtidas pela investigação também foram consideradas decisivas para o avanço do caso. Elas permitiram esclarecer etapas que antecederam o espancamento, individualizar a atuação de suspeitos e identificar outros dois homens que aparecem diretamente envolvidos nas agressões e ainda são procurados pela investigação.
O material audiovisual passou a integrar o conjunto de elementos utilizados pela autoridade policial para apontar indícios de participação dos investigados na dinâmica que culminou na morte de Cláudio.
No fim da sequência registrada pelas câmeras, resta na calçada a vítima que, minutos antes, ainda estava envolvida na disputa pela bicicleta. Depois de ser perseguido, cercado e espancado durante mais de seis minutos, Cláudio é abandonado desacordado, até ser encontrado e socorrido.
Pouco depois, morreria no hospital.
A sequência captada pelas câmeras transforma os minutos finais da vida de Cláudio em uma cronologia brutal: a bicicleta, o cassetete retirado de um estabelecimento, a perseguição até outro endereço, a chegada dos dois entregadores, o início do espancamento às 00h07min26s e mais de seis minutos de golpes, socos e chutes, até as agressões cessarem às 00h13min35s.