Nesta semana, veículos de imprensa de todo o país deram destaque à operação da Polícia Civil de Roraima contra a facção criminosa Tren de Aragua, uma das organizações mais violentas e estruturadas em atuação na América Latina.
As investigações apontam que o grupo estaria envolvido em uma série de homicídios registrados em Boa Vista, capital de Roraima, com atuação marcada por extrema violência. Entre os crimes atribuídos à facção, há relatos de execuções sumárias, incluindo episódios descritos como fuzilamentos em via pública, além de esquartejamentos e outras formas de violência extrema.
De acordo com os levantamentos, criminosos utilizariam veículos alugados para a prática dos delitos, dificultando a identificação e o rastreamento das ações.
Relatórios policiais indicam ainda que a facção atua com elevado grau de brutalidade, associada ao uso de armamento de origem estrangeira, contrabandeado da Venezuela.
Documentos obtidos no curso das investigações apontam que o Tren de Aragua mantém uma estrutura de atuação transnacional, com ramificações em diversos países da América Latina e possíveis conexões com redes do narcotráfico internacional, incluindo cartéis mexicanos.
Em determinados relatórios de segurança pública, o grupo já foi descrito por autoridades estrangeiras como uma organização de perfil altamente violento e com estrutura paramilitar, em razão do seu modo de operação e capacidade de expansão territorial.
Nos últimos anos, a facção vem ampliando sua presença no Brasil, especialmente na região Norte, onde a extensa fronteira com a Venezuela facilita fluxos ilícitos. As investigações indicam que o grupo estaria recrutando brasileiros para atividades criminosas como tráfico de drogas, exploração sexual e mineração ilegal.
O avanço da organização criminosa se torna ainda mais preocupante diante de relatos de possíveis articulações com outras facções atuantes no Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Essas conexões, segundo apurações, potencializariam o controle de rotas do tráfico e a exploração de atividades ilícitas em territórios estratégicos.
Estudos e levantamentos de segurança apontam que, desde 2013, período em que Nicolás Maduro assumiu a presidência da Venezuela, houve um aumento significativo da criminalidade transnacional envolvendo grupos originários do país vizinho, impulsionado pela crise econômica e humanitária que levou à migração de indivíduos ligados ao crime organizado.
A operação
A Polícia Civil de Roraima (PCRR), por meio da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), deflagrou na última terça-feira (16) a Operação Rota do Norte, voltada ao enfrentamento da organização criminosa transnacional Tren de Aragua.
A ofensiva tem como objetivo desarticular as estruturas operacionais e financeiras da facção, considerada uma das mais perigosas em atuação no continente. A ação ocorre simultaneamente nos estados do Amazonas, Roraima, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, onde estão sendo cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário contra integrantes e colaboradores da organização criminosa.
As ordens judiciais são direcionadas a investigados por participação em crimes como tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de guerra e lavagem de dinheiro.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, enfatizou a importância da operação e o papel do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“A Operação Rota do Norte é um exemplo concreto da estratégia nacional de combate ao crime organizado baseada em integração e inteligência. Atuamos no compartilhamento de informações, na produção de inteligência financeira e no apoio logístico às equipes envolvidas nas investigações e na execução da operação. O resultado é uma ação coordenada capaz de atingir não apenas os executores, mas também as estruturas financeiras e logísticas que sustentam organizações criminosas transnacionais. É assim que enfraquecemos as facções: retirando sua capacidade de operar, financiar atividades criminosas e expandir sua influência sobre os territórios”, disse.
Modus operandi
As investigações identificaram uma estrutura criminosa responsável por atividades relacionadas ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armamentos de grosso calibre e à lavagem de dinheiro. O grupo investigado atuaria no fornecimento de armas de alto poder destrutivo para organizações criminosas em diferentes regiões do Brasil.
Entre os armamentos citados estão fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, frequentemente utilizados em confrontos entre facções criminosas.
As apurações também apontam fornecimento de armamento a outros grupos criminosos, incluindo integrantes do Comando Vermelho com atuação no Amazonas e no Rio de Janeiro.
Para o diretor de Operações e Inteligência (Diopi), Anchieta Nery, o trabalho integrado de inteligência foi determinante para o avanço das investigações.
“As ações de suporte da Senasp na Operação Rota do Norte demonstram a efetividade das estratégias que serão ampliadas no Programa Brasil Contra o Crime Organizado. O compartilhamento de informações entre os entes federativos, no contexto dessas iniciativas especializadas, vai produzir resultados cada vez mais expressivos”, explicou.
Encerramento operacional
Com a ofensiva, a Polícia Civil busca enfraquecer as estruturas financeiras, logísticas e operacionais do Tren de Aragua, interrompendo fluxos ligados ao tráfico de drogas, à circulação ilegal de armas e à lavagem de dinheiro, além de conter a expansão da facção no território nacional.
As diligências seguem em andamento, e os resultados consolidados da operação serão divulgados após a conclusão das ações policiais.