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Veja detalhes da fuga de Adilsinho com ajuda de PM preso ao seu lado este ano em Cabo Frio; comerciantes de cigarros da quadrilha são investigados por milícia e homicídios e foram beneficiados por depósitos feitos por empresa de contraventor

A investigação que apura a estrutura criminosa atribuída a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, vem revelando conexões que vão muito além do comércio ilegal de cigarros. Entre os fatos que mais chamaram atenção das autoridades está a atuação de um policial militar apontado como integrante do núcleo de segurança do grupo e acusado de ter ajudado o criminoso a escapar de uma operação policial antes de ser encontrado ao seu lado meses depois.

Segundo o Ministério Público Federal, o policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima desempenhou papel decisivo durante uma tentativa frustrada de captura de Adilsinho no condomínio Reserva do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio.

As investigações indicam que agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) monitoravam a presença do criminoso no local quando a operação foi desencadeada. Apesar do cerco policial, Adilsinho conseguiu fugir.

De acordo com a acusação, Diego foi identificado circulando pela região em uma Mitsubishi Outlander prata e posteriormente teria sido visto armado no condomínio vizinho Greenwood.

A apuração aponta que o policial e Adilsinho atravessaram o muro que separa os dois condomínios para escapar da ação policial.

Ainda segundo os investigadores, Diego teria utilizado sua condição funcional para intimidar funcionários da segurança privada do condomínio, chegando a apresentar sua carteira de policial militar para facilitar a fuga.

A evasão teria sido concluída quando os dois alcançaram uma caminhonete que os aguardava nas proximidades.

Meses depois, em fevereiro de 2026, o mesmo policial voltou a aparecer no centro das investigações.

Durante uma operação realizada em Cabo Frio, agentes da FICCO encontraram Diego dentro de uma residência ao lado de Adilsinho. Segundo o Ministério Público Federal, ele estava armado com uma pistola Glock calibre .40 municiada.

Para os investigadores, a sequência dos fatos reforça a suspeita de que o PM não prestava auxílio eventual ao criminoso, mas integrava de forma permanente a estrutura responsável por sua proteção e segurança.

Com base nesses elementos, o Ministério Público Federal denunciou Diego D’Arribada Rebello de Lima por suposta participação na organização criminosa investigada na Operação Libertatis. Na denúncia, os procuradores sustentam que ele atuava no núcleo armado da estrutura atribuída a Adilsinho, exercendo funções de segurança, apoio logístico e ocultação do paradeiro do contraventor.

Além da condenação criminal, o MPF pediu à Justiça Federal a perda do cargo de policial militar e a interdição para o exercício de função pública pelo prazo de oito anos após o cumprimento da eventual pena, caso haja condenação.

Ligações com investigados por milícia e homicídios

As investigações também revelaram que a estrutura financeira atribuída a Adilsinho mantinha relações com personagens conhecidos das forças de segurança por envolvimento em apurações sobre milícias na Baixada Fluminense.

Um dos nomes citados é o de Siri, apontado pelos investigadores como comerciante de cigarros contrafeitos e investigado há anos por supostas ligações com grupos paramilitares em Duque de Caxias.

Segundo a apuração, Siri foi preso em 2019 durante uma operação da Core e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil enquanto participava de uma partida de futebol ao lado de outros suspeitos ligados à milícia. Na ocasião, diversas armas de fogo foram apreendidas.

Mesmo após o episódio, seu nome continuou aparecendo em documentos relacionados à ADILOC, empresa apontada pela Polícia Federal como parte da engrenagem financeira da organização criminosa atribuída a Adilsinho.

Além disso, Siri também aparece em investigações relacionadas à tentativa de homicídio contra um policial militar e por suposta participação em milícia privada.

Outro personagem mencionado é PQD, que segundo a investigação também recebeu notas fiscais emitidas pela ADILOC e aparece vinculado a operações que somariam quase R$ 400 mil em mercadorias.

O histórico atribuído a PQD chamou atenção dos investigadores porque ele responde a processos relacionados a homicídios atribuídos à atuação de milicianos na Baixada Fluminense.

Nos autos citados pela Polícia Federal, ele aparece ao lado de policiais militares acusados de participação nos assassinatos, incluindo integrantes conhecidos pelos apelidos de “Cara de Pedra”.

Notas fiscais sob suspeita

Segundo a Polícia Federal, mensagens obtidas durante a investigação indicam que integrantes da estrutura administrativa ligada à empresa determinavam a emissão de notas fiscais em nome de pessoas vinculadas ao esquema.

A suspeita é que parte desses documentos não correspondesse a operações comerciais reais e fosse utilizada para dar aparência de legalidade à circulação de mercadorias e recursos oriundos das atividades criminosas.

Na avaliação dos investigadores, o mecanismo teria sido empregado para ocultar movimentações financeiras, dificultar o rastreamento dos recursos e fortalecer a estrutura econômica da organização.

Investigação continua

A Polícia Federal e o Ministério Público sustentam que os elementos reunidos apontam para uma organização criminosa com atuação diversificada, envolvendo comércio ilegal de cigarros, operadores financeiros, pessoas investigadas por milícia e indivíduos ligados a crimes violentos.

As investigações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.

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