Preso ontem no Morro do Vidigal, em uma operação policial cercada de polêmica e que deixou centenas de turistas ilhados, Patrick César Tobias Xavier, o “Bart”, não é um criminoso qualquer. Ele integra uma célula do Comando Vermelho de Goiás que encontrou abrigo no Rio de Janeiro, operando sob a proteção direta de traficantes cariocas.
Segundo as investigações, essa base de apoio estaria instalada no Morro dos Prazeres, no Rio Comprido — território onde criminosos de fora do estado recebem guarida e estrutura para continuar comandando suas atividades ilegais. Na prática, o Rio funciona como refúgio estratégico para esses bandidos, que seguem operando à distância.
De dentro do estado fluminense, os traficantes goianos negociavam drogas e armas de fogo em esquemas sofisticados, utilizando inclusive números de telefone habilitados no exterior para dificultar o rastreamento e driblar a ação das autoridades.
Bart não atuava sozinho. A investigação aponta a presença de outros criminosos de Goiás escondidos no Rio, conhecidos pelos vulgos Skadão, Keka, Lagoa ou LG — todos considerados de altíssima periculosidade. Mesmo refugiados no RJ, eles seguem comandando o tráfico e outras atividades criminosas em Goiás, demonstrando o alcance e a articulação interestadual da facção.
O esquema vai além da violência armada. Integrantes do grupo conseguiram, segundo a apuração, fraudar sistemas informatizados da Justiça para obter contramandados e derrubar ordens de prisão — incluindo o próprio Bart. Um movimento que expõe não só ousadia, mas também um nível alarmante de infiltração e organização.
Com histórico no crime desde a adolescência, Bart já participava de assaltos antes mesmo de atingir a maioridade. Sua prisão no Vidigal escancara um cenário preocupante: criminosos de outros estados utilizando comunidades do Rio como base segura para expandir seus negócios ilegais, com apoio direto de facções locais.