O alvo da operação realizada nesta segunda-feira no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, era tratado pelas autoridades como um dos pilares do crime organizado no sul da Bahia. Segundo investigações da Polícia Civil baiana, Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, construiu um histórico de poder e influência capaz de sustentar uma máquina criminosa violenta e altamente estruturada.
Apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ele é citado em relatórios do Departamento de Polícia do Interior (DEPIN) como peça central em uma guerra sangrenta contra o Bonde do Maluco (BDM), marcada por homicídios, ataques armados, incêndios e ameaças contra forças de segurança.
As informações são baseadas em investigações locais, com análise de celulares apreendidos, relatórios de inteligência e depoimentos protegidos. Segundo a polícia, mesmo quando esteve preso, Dada continuava operando o crime com precisão, utilizando aparelhos celulares para ordenar execuções, coordenar o tráfico e orientar comparsas sobre como agir.
De acordo com os investigadores, o controle exercido por ele era absoluto:
- Nada acontecia dentro da facção sem sua autorização;
- Ordens eram repassadas diretamente a executores;
- O grupo operava com estrutura hierárquica definida, com líderes distribuídos por áreas e funções;
- Familiares e mulheres ligadas à facção eram usadas para movimentar dinheiro, drogas e armas.
Relatos colhidos pela Polícia Civil reforçam que o traficante mantinha uma rede ativa e disciplinada, com integrantes posicionados estrategicamente tanto dentro quanto fora das unidades prisionais.
A dimensão desse poder ficou evidente em levantamentos policiais. Um relatório da 20ª COORPIN (Brumado) aponta que a movimentação de lideranças criminosas ligadas a esse núcleo coincidiu com um salto de até 700% nos crimes violentos letais na região — um reflexo direto da atuação dessas facções.
As autoridades também são enfáticas ao apontar que o uso de celulares por lideranças como Dada é um dos principais fatores que sustentam o funcionamento dessas organizações, permitindo que o comando criminoso continue ativo mesmo em cenários de repressão.
Agora, fora do sistema prisional e alvo de operação no Rio de Janeiro, o nome de Dada volta ao centro das atenções das forças de segurança. Para investigadores da Bahia, trata-se de um líder com histórico comprovado de articulação criminosa, capacidade de comando e influência direta sobre ações violentas.
A fuga no Vidigal, diante desse histórico, não é apenas mais um episódio — é um sinal claro de que um dos principais articuladores do crime organizado baiano segue em circulação.