O coronel da Polícia Militar Marcelo Moreira Malheiros voltou ao centro das atenções após ser nomeado para um cargo no Porto do Rio, em meio a acusações graves que tramitam na Justiça.
De acordo com denúncia apresentada no âmbito judicial e citada em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o oficial é acusado de ter integrado uma organização paramilitar, estruturada nos moldes de milícia privada, com atuação na comunidade da Praça Seca, na Zona Oeste do Rio.
Segundo a acusação, o grupo exerceria controle territorial com o objetivo de praticar crimes como extorsão, receptação, corrupção ativa e porte ilegal de armas de fogo. Ainda conforme o Ministério Público, o coronel teria solicitado e recebido vantagem indevida em razão da função pública, além de ter, supostamente, retardado ou deixado de praticar atos de ofício — como prisões em flagrante — relacionados a integrantes da milícia.
A denúncia também aponta que o oficial teria determinado a realização de operações policiais com o objetivo de conter o avanço de traficantes em áreas dominadas pela milícia, o que, segundo os investigadores, acabaria favorecendo a atuação do grupo paramilitar.
Outro ponto destacado na acusação é o suposto vazamento de informações sigilosas. De acordo com o processo, o coronel teria revelado ou facilitado o acesso a dados que deveriam permanecer sob sigilo, causando prejuízos à administração militar e às ações de combate ao crime na região.
As investigações, ainda segundo a denúncia, se baseiam em relatórios, interceptações telefônicas e análises telemáticas autorizadas pela Justiça, que indicariam uma relação próxima entre o oficial e integrantes da milícia. Entre os nomes citados está o de Cláudio Rodrigo Monteiro, conhecido como “Ceta”, apontado como um dos envolvidos no esquema e também denunciado no mesmo processo (nº 0168043-86.2023.8.19.0001), em tramitação na Justiça do Rio.
Diante dos elementos apresentados, o Ministério Público solicitou medidas cautelares contra o coronel, incluindo a suspensão do exercício da função pública, a proibição de acesso a dependências militares e a suspensão do porte de arma. Os pedidos foram acolhidos pelo juízo de primeira instância.
O espaço segue aberto para manifestação da defesa do coronel Marcelo Malheiros.