Depois de dois anos, a Justiça determinou que seja recebida denúncia do Ministério Público Estadual contra os líderes do tráfico do Complexo da Pedreira (TCP), em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, vulgos Coelho, Arafat, Raro e Cego ou Morcego pelo homicídio de um traficante rival em 2023.
Uma amiga da vítima teria avisado aos familiares de sua morte e dado informações acerca da dinâmica dos fatos.
Ela contou em mensagem, via facebook, que a vítima Sérgio teria entrado para o tráfico da comunidade do Mata Quatro – localizada no interior do Complexo do Chapadão e dominada pela facção criminosa Comando Vermelho – e que no retorno de seu primeiro dia de “trabalho”, o veículo, onde ele, teria sido interceptado pela facção rival Terceiro Comando Puro, quando trafegava de uma favela para outra.
A vítima então teria sido capturada, juntamente com outros traficantes do Chapadão, e dias depois, seu corpo foi encontrado com marcas de tiros na entrada do Complexo da Pedreira, enquanto os demais ocupantes do veículo teriam sido baleados ou estariam desaparecidos
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Tais informes vieram aos autos por meio das duas únicas testemunhas ouvidas na investigação, mãe e irmã da vítima, que, frise-se, não presenciaram o fato, tampouco souberam identificar quem seriam os traficantes envolvidos na morte da vítima.
Diante do impasse no rumo da apuração, os investigadores passaram a colher informes sobre os indivíduos ligados ao tráfico naquela localidade, chegando a autoridade policial, em seu relatório final, a representar pela prisão preventiva de quatro elementos como mandantes/partícipes do homicídio tratado neste processo.
Segundo a Justiça, na época, havia notória falta de elementos indiciários aptos a dar suporte à ação penal, já que, conquanto oportuno o levantamento realizado pelos agentes, tal só serviria como um reforço de eventual prova, mas não para sustentar justa causa para o oferecimento de denúncia por homicídio contra pessoas. Por conta disso, naquela ocasião, a denúncia foi rejeitada.
Entretanto, em agosto do ano passado, por conta dos depoimentos da mãe e irmã da vítima dos prints de conversa do whatsapp e o Laudo de Exame de Local de Encontro de Cadáver), a Justiça aceitou o recurso do MPRJ e concordou com a denúncia.
Dos suspeitos denunciados, Arafat e Raro estão presos.