Assim que se consolidou como o principal líder do Comando Vermelho em liberdade, o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, deu início a uma estratégia de expansão territorial da facção que resultou na tomada de dezenas de comunidades dominadas por milicianos e pelo Terceiro Comando Puro (TCP) nos últimos anos no estado do Rio de Janeiro.
A reportagem reuniu informações divulgadas ao longo do tempo pela imprensa, além de dados citados em investigações da polícia, do Ministério Público e da Justiça.
Entre as primeiras comunidades conquistadas nessa ofensiva estão os morros do Dezoito, Saçu e Caixa D’Água, localizados entre Água Santa, Quintino e Piedade, na Zona Norte do Rio. Essas áreas eram controladas por milicianos e, em determinado período, chegaram a ficar sob domínio do TCP.
O grupo liderado por Doca também assumiu o controle do Conjunto Habitacional do Quitungo, em Brás de Pina, tradicional reduto de milicianos.
Avanço em Jacarepaguá e Praça Seca
No início da década, a chamada Tropa do Urso — como é conhecida a ala do Comando Vermelho ligada a Doca — passou a concentrar sua ofensiva em comunidades de Jacarepaguá e da região da Praça Seca.
Nesse período, o grupo conquistou as comunidades da Covanca, Chacrinha, Barão e Bateau Mouche, todas anteriormente dominadas por grupos paramilitares. Posteriormente, também passou a controlar Jordão, Santa Maria e Teixeiras.
Conquistas na Zona Norte e Baixada
O Comando Vermelho também tomou do TCP duas comunidades em Anchieta, conhecidas como Az de Ouro e Tatão.
Na Baixada Fluminense, o grupo ampliou sua presença ao conquistar áreas antes dominadas por milicianos em Nova Iguaçu, como o Grão Pará e o Conjunto da Marinha, além da comunidade do Danon, que estava sob controle do TCP.
Ainda na Zona Norte do Rio, o CV tomou da milícia a localidade do Amorim, em Manguinhos.
Ofensiva na Zona Oeste
Anos depois, a facção iniciou uma ofensiva para ampliar sua presença na Zona Oeste e região de Jacarepaguá. Nessa etapa, o grupo passou a controlar áreas como Gardênia Azul, Muzema, Tijuquinha, Sítio Pai João, Morro do Banco, Cesar Maia, Fontela, Coroado e Palmares, comunidades que, em sua maioria, eram consideradas redutos da milícia.
Mais recentemente, o CV também tomou do TCP os morros dos Macacos, Fubá e Campinho, todos na Zona Norte da capital.
Outras áreas que passaram ao controle da facção incluem o Gogó da Ema, em Belford Roxo, e a comunidade conhecida como 700, na Taquara, que era dominada por milicianos.
A Vila Sapê, em Curicica, apontada como reduto da milícia, foi uma das comunidades mais recentes a ser tomada pela organização criminosa.
Tentativas de novas invasões
Ao mesmo tempo em que consolidava o controle sobre diversas áreas, a Tropa do Urso também tentou — ou ainda tenta — avançar sobre outras comunidades dominadas por milicianos.
Entre os locais que já foram alvo de investidas estão Catiri, em Bangu, Carobinha, em Campo Grande, Barbante, em Inhoaíba, Antares, em Santa Cruz, e Rio das Pedras, em Jacarepaguá. A facção também tentou ocupar o Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, Goveua, em Paciência e áreaseem Guaratiba e Pedra de Guaratiba.
Já contra o Terceiro Comando Puro, o Comando Vermelho tenta avançar sobre o Morro do Chaves, em Barros Filho, e a Malvina, em Irajá.
Além disso, as duas facções seguem envolvidas em confrontos em áreas estratégicas como os complexos da Pedreira e de São Carlos, além de morros da Tijuca, como Cruz e Chácara do Céu, o Morro do Dendê e o Trio de Ouro, em São João de Meriti.
A facção ainda mira recuperar os territórios perdidos para o TCP em Niterói, onde os tiroteios têm sido constantes.
Com extensa ficha criminal, Doca segue sendo investigado e aparece em mais de 329 investigações desde 2003, sendo considerado atualmente um dos criminosos mais procurados do Brasil.
Evadido do sistema carcerário, ele é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores. Em outubro de 2023, Doca foi apontado como o mandante da execução de três médicos e da tentativa de homicídio de uma quarta vítima na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. As vítimas participavam de um congresso de medicina e foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras.
Contra ele há mais de 20 mandados de prisão expedidos em seu nome pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça.