O traficante holandês Gerel Lusiano Palm, que segundo investigações seria beneficiado por uma suposta propina paga por uma advogada a um delegado da Polícia Federal preso nesta semana, foi acusado de tentativa de duplo homicídio na cidade de Noordeloos, na Holanda, em dezembro de 2016. A informação foi publicada pelo jornal Tennessee Tribune.
De acordo com a reportagem, as duas vítimas — homens de 28 e 35 anos, moradores de Rotterdam — ficaram gravemente feridas no ataque.
Ainda segundo o veículo, Palm foi preso em março de 2017, em Paramaribo, capital do Suriname, antiga colônia holandesa na América do Sul.
No entanto, ele conseguiu fugir da prisão apenas 12 dias depois, após desarmar um guarda e mantê-lo sob a mira de uma arma durante a fuga.
A escapada levantou suspeitas entre autoridades locais, já que, segundo fontes do sistema penal, seria praticamente impossível fugir da penitenciária de Duisburglaan, localizada no bairro Flora, nos arredores de Paramaribo, sem algum tipo de ajuda interna, devido ao alto nível de segurança do local.
Palm voltou a ser preso em 2021, no Rio de Janeiro, acusado de tentativa de homicídio. Pelo crime, acabou condenado a 20 anos de prisão.
Segundo reportagem publicada no ano passado pelo Portal AZ, Palm teria acumulado mais de 40 imóveis na cidade do Rio de Janeiro. Os bens estariam sendo administrados por sua esposa, que também chegou a ser mencionada no processo de extradição e atualmente cumpre prisão domiciliar.
Durante o julgamento relacionado ao caso ocorrido na Holanda, uma das vítimas esteve presente e afirmou que não sabia por que Palm tentou matá-lo, já que os dois eram amigos.
“O fato de ele querer fazer isso comigo realmente me afetou. Eu perdi a fé nas pessoas”, disse a vítima.
Investigadores também ligam Palm ao líder do crime organizado Ridouan Taghi, apontado como chefe de uma das mais violentas organizações criminosas da Europa.
De acordo com as investigações, Palm teria fugido da prisão no Suriname em um veículo de alto padrão que o aguardava do lado de fora do presídio.
Ele possui um longo histórico criminal. Entre as condenações está uma sentença de nove anos de prisão por um tiroteio de vingança ligado ao tráfico de drogas, ocorrido em 2001.
A polícia holandesa também suspeita do envolvimento de Palm no assassinato de Ronald Bakker, funcionário de uma loja de equipamentos de espionagem na cidade de Huizen, em 2015. O crime teria sido organizado por Taghi.
Bakker foi morto perto de sua casa, e sua filha presenciou o assassinato. Investigadores acreditam que o crime possa ter sido motivado pelo fato de que a loja onde a vítima trabalhava havia sido alvo de buscas policiais após criminosos suspeitos comprarem dispositivos de rastreamento no estabelecimento.
Palm chegou a ser preso no caso, mas acabou libertado poucos dias depois por falta de provas.
Após deixar a prisão, ele decidiu se mudar para o Suriname, onde, segundo relatos, passou a viver sem grandes preocupações em se esconder das autoridades.
Em 2016, o blogueiro de crimes holandês Martin Kok foi assassinado, e novamente surgiram suspeitas sobre a participação de Palm no caso.
Na tentativa de capturá-lo, autoridades holandesas chegaram a dobrar a recompensa oferecida por informações sobre seu paradeiro, passando de cerca de US$ 18 mil para mais de US$ 36 mil.
Considerado um dos maiores traficantes ligados ao crime organizado europeu, Palm aguarda atualmente a conclusão de seu processo de extradição no Brasil. O governo da Holanda busca levá-lo de volta à Europa, enquanto autoridades dos Estados Unidos também demonstraram interesse no caso, por meio da DEA, que investiga conexões internacionais do criminoso.