Já em 2022, a Delegacia de Roubos e Furtos da Polícia Civil do Rio investigava a quadrilha que praticava furtos em caixas eletrônicos que contava com a participação de criminosos do Rio de Janeiro e de Santa Catarina com ajuda de traficantes do Comando Vermelho. Um dos alvos da operação de hoje, vulgo Dudu, já participava dos crimes na época
O grupo arregimentava integrantes para a quadrilha e mantinha relações com membros da facção Comando Vermelho, com o objetivo de se homiziar em favelas e adquirir estrutura e veículos para realizar suas empreitadas criminosas.
O bando fazia o arrombamento ou qualquer transposição de barreira física que permitisse o acesso a um estabelecimento comercial no qual existisse caixa eletrônico, para só então entrar no local e manusear equipamentos específicos para abertura de cofres, como a lança térmica.
Eles faziam o rompimento ou destruição de obstáculo que impedisse o acesso ao caixa eletrônico.
Dudu, alvo da operação de hoje, era guia” dos demais membros do grupo criminoso, transportando-os das comunidades onde estavam instalados para os locais eleitos para o cometimento dos crimes.
Uma das bases do grupo no Rio era o Morro da Coroa, em Santa Teresa, e furtos praticados em Xerém, Duque de Caxias.
Policiais explicaram que o modus operandi dessa organização consistia deles entrando em estabelecimento comercial, geralmente, na madrugada e faziam o arrombamento, por exemplo, se o estabelecimento comercial tivesse um caixa eletrônico e uma casa nos fundos ou uma igreja, o que fosse, eles entravam fazendo um buraco nesse outro imóvel para ter acesso ao estabelecimento que tinha um caixa eletrônico; que eles usavam lança térmica, que é um material que vai derretendo o caixa eletrônico e eles conseguem ter acesso onde está o dinheiro;
As investigações que levaram a operação de hoje que terminou com sete presos foram feitas pela DRACO. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra alvos no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Também foi solicitado o bloqueio de cerca de R$ 30 milhões vinculados ao grupo. A ação conta com o apoio de unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE). Até o momento, cinco pessoas foram presas.
As investigações apontam que se trata de uma organização interestadual com estrutura hierarquizada e divisão clara de funções. O grupo contava com núcleo de liderança, braço técnico-operacional especializado no uso de maçarico industrial, núcleo de inteligência responsável pelo levantamento prévio de alvos e setor logístico-financeiro encarregado da movimentação e ocultação dos valores ilícitos, por meio de sofisticado esquema de lavagem de capitais.
Foi apurado que, nas ações contra caixas eletrônicos, integrantes oriundos de Santa Catarina se deslocavam ao Rio de Janeiro, onde recebiam apoio logístico da facção Comando Vermelho. Os narcotraficantes do Rio forneciam veículos roubados para fuga, maquinário e ferramentas utilizadas nas explosões, além de locais para abrigo e esconderijo antes e após os crimes.
Os agentes identificaram movimentação de cerca de R$ 30 milhões ao longo de cinco anos, por meio de contas de pessoas físicas e jurídicas usadas para dissimular a origem ilícita dos recursos. Parte da lavagem ocorria em uma joalheria de Niterói, também investigada por ocultar valores provenientes do tráfico de drogas no Complexo do Viradouro, evidenciando a conexão entre crimes patrimoniais sofisticados e o financiamento do tráfico armado.
Além do bloqueio de valores, foi requerida a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e veículos de luxo vinculados aos investigados, com o objetivo de descapitalizar a organização e interromper seu fluxo financeiro. A operação mira, de forma simultânea, os núcleos operacional e financeiro do grupo criminoso.