Achado morto enterrado em uma mata em Rio das Pedras em novembro após desaparecer na comunidade da Tijuqinha, o motorista de aplicativo Lucas Mendes Monteiro foi assassinado por engano.
Morador do Irajá, Lucas desapareceu após ter ido comprar ouro na Tijuquinha com um amigo, para revender. Ele entrou em um veículo preto e não deu mais notícias aos familiares. Seu celular foi desligado na Rua da Chácara, depois de ter mandado uma mensagem para o amigo dizendo “Deu ruim”, segundo a Polícia Civil.
De acordo com processo na Justiça, o alvo dos asasssinos era Gabriel, amigo de Lucas, que estava com ele e conseguiu fugir.
O crime foi tramado dentro de um presídio de Japeri e teve como mandante um criminoso vulgo Nem da Rocinha (que não é aquele).
Nem jurou de morte Gabriel após saber que foi com sua ajuda que a polícia o prendeu já que ele era colaborador dos agentes da lei e tramou seu homicídio por vingança.
Para isso, Nem forjou uma negociação de compra e venda de ouro para atrair Gabriel.
Gabriel chegou a ser preso e durante o tempo de cadeia manteve contato com um preso conhecido como Xororó e foi este que lhe colocou em contato com Nem.
Foi marcado um encontro de Gabriel com um primo de Nem para pegar os ouros cerca de 298 gramas de diversas peças no dia 18/01/2025 no Itanhangá.
Como não conhecia a área, Gabriel chamou Lucas para ir com ele mas os dois acabaram se separando pois Lucas disse que iria para o encontro da transação e pediu para ficar com a maior parte do ouro. Em conversa pelo whatsapp, Lucas disse que os caras estavam armados e `deu ruim’.
Gabriel tentou contato com Lucas mas ele não atendeu e quando atendeu, uma voz de um homem disse que era da polícia e que ia até ele e desligou o telefone.
Ele estava com a localização em tempo real de Lucas e viu que estavam “rodando” com ele pelo carro, devido à rapidez com que se movimentavam;
Em certo momento, cruzaram com Gabriel mas elenão teve como saber qual o carro, pois passavam diversos veículos.
Temendo pela sua vida, Gabriel foi embora e se dirigiu à família de Lucas para contar o fato.
Posteriormente se dirigiram até a DAS (Divisão Anti-Sequestro) e foram orientados a procurar a 16DP, onde registraram a ocorrência;
Gabriel disse que ha 6 anos é colaborador da polícia e que no ano de 2021 colaborou para a prisão de Nem e logo depois Nem descobriu que ele trabalhava para a polícia e que foi o declarante que “deu” sua prisão;
Gabriel disse que em nenhum momento desconfiou que Nem estava envolvido no caso.e que era amigo também de Xororó.
Ele contou que em uma conversa com Nem pelo whatsapp lhe enviou uma foto sua usando um cordão de ouro; Acredita que depois que Nem descobriu que o declarante era o mesmo que havia colaborado com sua prisão e armou com Xororó para poder pegá-lo;
Gabriel disse que os caras ficaram rodando com Lucas para procurá-lo e que se tivessem achado, teriam matado todos.
Um transexual que é irmão de Gabriel que está preso no presídio Plácido Sá Carvalo, em Bangu, revelou que existe comunicação dos detentos desta com a Cotrim Neto, em Japeri.e que os integrantes das comissões de presos se comunicam;
Disse que Nem pratica extorsão de dentro da cadeia “mineirando” ouro das pessoas e que posteriormente coloca para seus comparsas fora do presidio venderem e que certamente seu irmão após ser apresentado a Nem, através de de Xororó, seria vitima de homicidio;
Caso se concretizasse o crime, Xororó como é de costume entre os internos das cadeias, ficaria “forte” no contexto entre os presos e ganharia regalias no presidi.
Ambas as unidades são “neutras”, ou seja, abrigam presos sem facção.
Além de Nem, outros dois homens estão com prisão preventiva decretada pelo crime, entre eles Xororó. Todos são envolvidos com a milícia que agia na Tijuqinha.