Segundo denúncia do Ministério Público Estadual, a quadrilha comandada por Cosme Rogério Ferreira Dias, o Mentor das Barricadas do Comando Vermelho é especializada em furtos qualificados de cabos de telecomunicações (inclusive subterrâneos), receptação qualificada desses materiais e subsequente lavagem de capitais, com atuação em diversas localidades do Estado do Rio de Janeiro.
A investigação aponta a existência de núcleos de comando, financeiro, intermediário e operacional, com funções definidas.
As subtrações ocorriam de forma meticulosa, com o uso de equipamentos especializados (bombas d’água e guilhotinas hidráulicas), veículos pesados
e táticas de dissimulação, como o emprego de uniformes e ordens de serviço falsificadas para simular legitimidade. O material subtraído era, então,
escoado para empresas de reciclagem controladas pelos próprios líderes da organização, onde se iniciava um complexo ciclo de lavagem de dinheiro
para ocultar a origem ilícita dos lucros.
Cosme e esposa faziam parte do Núcleo de Comando, responsáveis pelas decisões estratégicas, pelo financiamento das operações e pela coordenação geral do esquema criminoso
Núcleo de Aporte Financeiro: Integrado por um conjunto de “laranjas” e operadores financeiros que, por meio de empresas de fachada e
movimentações bancárias simuladas, eram responsáveis por ocultar e dissimular a origem dos recursos ilícitos, reinserindo-os na economia
formal.
Núcleo Intermediário: Formado por gerentes operacionais que atuavam como elo entre o comando e os executores, transmitindo
ordens, organizando a logística das ações de furto e efetuando os pagamentos aos membros do núcleo operacional.
úcleo Operacional: Composto pelos executores diretos dos furtos, responsáveis pela atuação em campo, desde a subtração física dos
cabos até o seu transporte para os locais de receptação.
Cosme foi identificado como o líder máximo da organização. Em conversas interceptadas, é tratado como “patrão” por Erick, o segundo na hierarquia.
É proprietário de uma empresa de comércio de metaais , utilizada como fachada para a receptação dos materiais furtados.
No bojo do RO nº 044 01848/2025, seu próprio funcionário o aponta como um dos maiores receptadores de cobre do Estado.
A análise do RIF 124.730 (indexes 806 e 967) demonstra que Cosme e sua empresa movimentaram milhões de reais em conjunto com Erick em um curto período, sem contrapartida aparente, evidenciando a movimentação de capitais ilícitos. Sua posição de comando torna sua prisão indispensável para desmantelar a cúpula da organização.
Erick era o braço-direito de Cosme. com papel central na coordenação financeira e logística. Mantinha contato direto com todos os núcleos, gerenciando pagamentos e repassando ordens.
Utilizava sua empresa de reciclagem para preparar os cabos furtados para revenda e também lavar o dinheiro do crime, dando aparência
de legalidade à operação.
As investigações revelaram que Erick chegava a financiar a defesa jurídica de membros presos, demonstrando seu papel de garantidor da continuidade e coesão do grupo. Sua liberdade permitiria a manutenção da estrutura operacional e financeira da organização.
Cynthia, esposa de Cosme, desempenhava função crucial na gestão financeira e na ocultação do patrimônio. Um caminhão registrado em seu nome foi apreendido transportando 60 kg de cobre de origem ilícita, conforme RO nº 044-01848/2025, fato que Cosme lamenta em conversa com Erick. Sua participação ativa na blindagem patrimonial e no fluxo financeiro a torna peça-chave, cuja custódia é necessária para estancar a lavagem de capitais.
O Núcleo de Aporte Financeiro – a análise conjunta da conduta destes réus revela um padrão de atuação como “laranjas” e operadores de empresas de fachada. As investigações demonstraram que todos eles, sem exceção, realizaram vultosas transações financeiras com os líderes da organização, em valores absolutamente incompatíveis com suas rendas declaradas e atividades econômicas formais. Em uma conversa com Erick, uma pessoa chegou a discutir para transportar material.
No Núcleo Intermediário, os membros atuavam como gerentes de campo. Foram flagrados em interceptações telefônicas e telemáticas planejando furtos, definindo horários, discutindo a necessidade de ferramentas específicas como “talhadeiras” e articulando a logística com os caminhões.
Dois deles foram abordados juntos na posse de mais de R$ 45.000,00 em espécie, cuja origem tentaram justificar com uma nota fiscal ideologicamente falsa emitida por Cynthia. . “Paquetá” mencionado em conversas e planilhas de pagamento, confirmando seu papel na coordenação e recebimento de valores.
Sobre o Núcleo Operacional – os integrantes exerciam uma função híbrida. Além de participarem da execução de crimes, como demonstram as anotações criminais e as transações financeiras diretas com o núcleo operacional, atuavam como intermediários financeiros, recebendo
valores de Erick e repassando a outros membros, como um que possuía 47 anotações criminais, demonstra altíssima periculosidade e profundo envolvimento com a criminalidade. A prisão de ambos é necessária tanto para garantir a ordem pública, dada sua
periculosidade, quanto para interromper o fluxo financeiro intermediário.
FONTE: TJ-RJ